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domingo, 18 outubro, 2026

Jardim Botânico testa cultivo inédito da árvore Qualea jundiahy

Espécie é rara e exige cuidados. Árvore depende muito de outras condições, e até de animais polinizadores ou dispersores

Depois de anos de pesquisas, o Jardim Botânico de Jundiaí está fazendo o cultivo da árvore que lembra a cidade em seu nome científico (Qualea jundiahy). Além de rara, essa espécie de pau-terra-da-mata tem crescimento lento e exige coleta de sementes com técnicas como rapel a 10 ou 20 metros de altura – e parte delas já pode ter sido dispersada com o vento.
Além de ocorrências anteriores na região do Corrupira, essa espécie de árvore foi identificada em manchas de vegetação nativa na região do Tulipas com exemplares na borda de área verde restante de loteamento recente, durante levantamento de 928 fragmentos naturais da cidade para o Plano Diretor em 2015 e 2016. Não há registros de sua presença na Serra do Japi, um dos motivos da importância de sua identificação no restante do município.
Uma das árvores na qual foram coletadas sementes tem idade estimada em mais de 50 anos. A identificação ocorre inicialmente de forma visual, com a forma da copa, e depois mais de perto para identificar a folha (chamada de filotaxia) em seu formato, distribuição no ramo (alternadas, ou concentradas na extremidade ou opostas) e características dendrológicas (casca fina ou grossa e, nesse caso, lenticelado ou com minúsculos orifícios respiratórios). Por fim, as flores e frutos determinam a confirmação da espécie.
Com três especialistas e 25 técnicos ou auxiliares operacionais, o Jardim Botânico de Jundiaí é reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente e busca formar um acervo vivo ou resgatar espécies raras. Mas esse trabalho não substitui a conservação in situ (nos próprios lugares), porque uma árvore ou planta depende muito da comunidade de espécies, muitas vezes desde o fungo do solo até outros vegetais e animais polinizadores ou dispersores.
O cultivo também enfrenta desafios. De acordo com Harri Lorenzi, na obra Árvores do Brasil (que é referência do setor, como também o portal online “Flora do Estado de São Paulo” – http://botanica.sp.gov.br/ffesp_online/), o pau-terra-da-mata ou Qualea jundiahy ocorre em florestas semideciduais em altitudes acima de 400 metros (ou seja, não se adapta a áreas encharcadas) e, principalmente em matas primárias, mais conservadas. E resiste a pouco tempo de armazenamento.
Os cuidados dos técnicos envolvidos no viveiro do Jardim Botânico visam a expectativa de sucesso das sementes vindas há 45 dias da região do Tulipas e de uma velocidade de crescimento maior do que uma muda isolada coletada há três anos na região do Corrupira, ainda com 80 centímetros. O tamanho adequado para o plantio urbano, por exemplo, é de 1,5 metro e, no caso dessa espécie, vai exigir no futuro um critério adequado de escolha do local.
Pelo lado histórico, uma das teorias sobre a origem desse nome é que Jundiaí, por ser um dos mais antigos municípios paulistas, foi passagem obrigatória para Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso e de grande parte dos naturalistas europeus nos séculos XVIII e XIX como Spix & Martius, Saint-Hillaire ou Langsdorff.

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