Dois ex-assessores do presidente da Assembléia, deputado Fernando Capez, recebiam dinheiro dentro da casa
A entrada, a área externa e até o restaurante da Assembleia Legislativa de São Paulo serviram como ponto de encontro para pagamentos de propina a dois ex-assessores do presidente da Casa, Fernando Capez (PSDB), de acordo com depoimento do principal delator da Operação Alba Branca ao Tribunal de Justiça.
Iniciada em janeiro, a Alba Branca investiga um possível esquema de fraudes e desvios na merenda em contratos entre a Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), prefeituras e a Secretaria da Educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB). A parte da investigação relativa a dois contratos com o Estado, para entrega de R$ 11,4 milhões em suco de laranja, tramita no Tribunal de Justiça porque envolve Capez, que tem foro especial.
Segundo o delator Marcel Ferreira Julio, lobista da Coaf, os pagamentos aos ex-assessores do gabinete do deputado, Jéter Rodrigues Pereira e José Merivaldo dos Santos, foram feitos em dinheiro vivo durante 2015, à medida que o Estado pagava pelo suco fornecido.
A Justiça quebrou sigilos bancário e fiscal dos suspeitos e de firmas ligadas a eles. No caso de Capez, também foi quebrado posteriormente seu sigilo relativo a investimentos na bolsa de valores.
Marcel reafirmou ao desembargador do caso, Sergio Rui, o que havia relatado ao Ministério Público em abril: que os dois ex-assessores lhe disseram que parte da propina ia para despesas da campanha de Capez de 2014. Pereira, que atuou no gabinete de Capez de 2013 até o final de 2014, assinou ao menos oito recibos de comissões, obtidos pela investigação, que totalizam R$ 171 mil.





