Neste ano foram 55 policiais atingidos por pistolas e metralhadoras. Há os que morreram porque a arma falhou
Desde que as polícias passaram a usar equipamentos da Taurus, feitos no Brasil, o número de policiais atingidos por disparos acidentais – alguns infantis – só aumentou. Não estão computados nesse levantamento os policiais que reagiram ou precisaram usar suas armas, e elas não funcionaram.
Os casos estão reunidos num site, o Vítimas da Taurus. A intenção dos criadores do portal, que também estão entre as vítimas, é pressionar o Exército – regulador da produção no país – a proibir definitivamente a fabricação e o uso das armas feitas pela empresa.
Eles também pressionam pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional, exigem que a Taurus indenize as vítimas e pedem que o governo abra o mercado para que seja possível a importação de outras marcas.
A Taurus, por sua vez, negou que seja culpada pelos incidentes e afirmou ser vítima de uma campanha contra sua reputação. A empresa afirma que os policiais tinham muita dificuldade de lidar com armas modernas de pronto emprego, como as pistolas da Taurus. Por outro lado, o governo paulista decidiu proibir a compra de novas Taurus durante dois anos.
A decisão, publicada no Diário Oficial na última semana, ocorreu após a Polícia Militar paulista produzir um laudo que apontou que 5.931 submetralhadoras modelo SMT 40, compradas por R$ 21 milhões, tinham defeitos de fábrica. Todas as armas estão guardadas há cinco anos e nunca chegaram a ir para as mãos dos policiais do Estado.
Embora negue falha nas armas, o vice-presidente da Taurus, Salesio Nuhs, reconhece que a empresa cometia erros de comunicação e falhou no passado por não ter treinado os policiais para manusear suas armas. Só em agosto de 2016, a empresa assumiu que as pistolas podem disparar sozinhas ao cair no chão e incluiu a informação em seus manuais de instrução.
Um dos motivos que leva a Taurus a ser a maior fornecedora de armas no Brasil é uma portaria do Exército prevendo a preferência de compra de armamentos nacionais quando houver similares aos importados. É o caso das pistolas .40 – que incluem os criticados modelos 24/7, PT 100 e 840, fabricados pela Taurus – usadas por quase todos os policiais do país.





