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quarta-feira, 14 outubro, 2026

Lembra da RDA? Agora a suspeita é lavagem de dinheiro

Empresa, cujos donos estão desaparecidos, deu prejuízo de mais de um milhão na praça e agora tem outra suspeita

A RDA todo mundo já conhece – uma empresa instalada em Jundiaí, do Grupo Moreira, que se propunha a pagar juros maiores que os de mercado a quem aplicasse dinheiro consigo. Nessa história muita gente perdeu dinheiro e hoje espera (desde 2014) a Justiça para tentar reaver alguma coisa. Essa a primeira parte da história.
A segunda: na semana passada, a Polícia Civil de Jundiaí cumpriu 12 mandados de busca e apreensão com objetivo de levantar documentos e outras informações. Agora a suspeita é outra: a RDA, do Grupo Moreira, teria um esquema de captação e lavagem de dinheiro.
Nessa de cumprir os mandados, a Polícia apreendeu computadores, laptops, cópias de contratos, extratos bancários, documentos de carros e até uma máquina de contar dinheiro, igual as que existem nos bancos. “O objetivo da operação é conseguir levantar ou pelo menos mensurar a quantidade de vítimas, o prejuízo que elas sofreram. Além disso, é feito também o levantamento de provas para saber o que era feito com esse dinheiro, se ficava no Brasil ou se era aplicado”, explicou o delegado Carlos Eduardo Barbosa, da DIG de Jundiaí.
A Polícia descobriu ainda que a RDA fazia contratos de gaveta, a título de prestação de serviços financeiros. Calcula-se que dez mil pessoas tenham embarcado nesse golpe. O que mais causou estranheza aos policiais foi a ostentação dos suspeitos do golpe – todos em casas de alto padrão, carros de luxo – coisa que a renda não lhes permitiria.
“Dos 12 lugares que visitamos, algumas casas eram de alto padrão, condomínios de luxo. Alguns veículos caros e é isso que estranhamos, já que as pessoas que constam como suspeitas não teriam condições de manter um padrão tão elevado”, afirma o delegado.
Tem mais: a Polícia já descobriu que havia uma espécie de esquema associado – empresas dos mesmos donos. E essas empresas trocavam figurinha – tiravam dinheiro num lugar e colocavam noutro. A suspeita é que haja mais locais do tipo arapuca mesmo.
Bem, os envolvidos já foram ouvidos, explicaram sua versão da história, incluindo o principal acionista-diretor-executivo-operacional-master da empresa. Se essa turma for condenada, incorre nos crimes de estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Já os que aplicaram dinheiro no Grupo Moreira precisarão ter fé, muita fé e participar de uns duzentos cercos de Jericó, sempre à espera do milagre da devolução do dinheiro.

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