Desdobramentos da Operação Calicute apontam que o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e sua mulher, Adriana Ancelmo, compraram R$ 6,5 milhões em brincos, colares e anéis em duas redes de joalherias: Antonio Bernardo e H.Stern. De acordo com denúncia do MPF (Ministério Público Federal), as compras foram pagas em dinheiro e serviram para “lavar” as propinas recebidas de empreiteiras responsáveis por executar grandes obras no Estado.
Por conta dessas suspeitas, Cabral e Ancelmo estão presos. Eles, entretanto, não são os únicos clientes de grandes joalherias a usar recursos obtidos ilegalmente para adquirir artigos feitos com pedras e metais preciosos.
Três ex-funcionárias da H.Stern disseram que é comum a venda de joias em dinheiro, sem nota e para clientes que pedem para não ter seus dados registrados para “resguardar sua privacidade”. Segundo advogados e auditores fiscais, essas vendas são ilegais, pois não geram recolhimento de impostos e também porque são feitas sem o controle obrigatório contra a lavagem de dinheiro.
As três ex-funcionárias da H.Stern trabalharam por anos na empresa. Uma delas foi gerente de uma loja da marca em São Paulo. Outra relatou já ter participado da venda de peça avaliada em R$ 200 mil a Cabral quando ele ainda era governador do Rio. Todas pediram para não serem identificadas.
A H.Stern foi procurada pelo para comentar o relato de suas ex-funcionárias e as investigações sobre as compras do ex-governador em suas lojas. Informou que não iria se pronunciar por conta de sua política de confidencialidade. Em depoimento à Polícia Federal, a diretora comercial da H.Stern, Maria Luiza Trotta, confirmou que aliados de Cabral pagavam as compras do político em dinheiro direto na tesouraria da rede.
O UOL tentou por diversas vezes entrar com contato com os advogados do ex-governador por telefone desde que ele foi preso. Ninguém atendeu aos telefonemas nem respondeu às mensagens. Procurada por e-mail ao menos duas vezes, a assessoria de imprensa de Cabral também não respondeu. Adriana Ancelmo, presa na terça-feira, não se pronunciou sobre as acusações contra ela.
O MPF informou na quarta-feira que abrirá uma investigação para apurar suspeitas de sonegação e lavagem de dinheiro em joalherias das quais Cabral e sua esposa foram clientes.





