Operação deverá fazer devassa em contratos de obras de cidades e do Estado, e é efeito colateral da Odebrecht
Por causa das denúncias dos 77 executivos da Odebrecht à Operação Lava Jato, a Camargo Corrêa deverá passar por uma espécie de recall – é que essa gente abriu o bico para contar também os rolos de outras construtoras. A Camargo Corrêa não escapou, e dentre as possíveis irregularidades está uma que envolve a Prefeitura de Jundiaí, possivelmente na construção da barragem da represa da DAE.
Para entender: de 2009 a 2011 aconteceu a Operação Castelo de Areia, que apurou denúncias de propinas em obras do Governo do Estado e em algumas cidades. As cidades citadas nessa operação foram Jundiaí (no caso a Prefeitura) e Campinas (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento – Sanasa). Há também denúncias de pagamentos enrolados no Rodoanel, no túnel da venida Jornalista Roberto Marinho e na expansão do metrô (Capital). No total seriam 12 obras suspeitas.
A Lava Jato agora quer resgatar essas informações, uma vez que a Operação Castelo de Areia foi anulada pela Justiça em 2011. A expectativa de procuradores e policiais federais é de que o recall abranja obras delatadas pela Odebrecht e também obrigue a Camargo a revelar mais irregularidades não esclarecidas pela Castelo de Areia.
Além da Camargo, Andrade Gutierrez e UTC também devem apresentar novos casos nos quais pagaram propina em troca de contratos. A volta da apuração dos casos revelados pela Castelo de Areia deve piorar ainda mais a situação de partidos já denunciados, como PT e PMDB. Na investigação de 2009, os dois partidos, ao lado do PSDB, eram os que mais apareciam nas planilhas apreendidas pela Polícia Federal.





