Prefeitos de todo o Brasil estão fazendo côro à choradeira geral, da falta de dinheiro. Alguns culpam abertamente o prefeito anterior pelo caixa vazio. Outros justificam que há dívidas, como um prenúncio de que nada farão, alegando que precisam pagar as contas mais antigas. A choradeira é geral. Alguns falam em revolucionar a forma de administração, colocando no serviço público a eficiência empresarial.
Todo esse chororô não tem cabimento. Primeiro: quem se elegeu prefeito lutou muito por isso. Fez campanha, acordos, gastou dinheiro, sola de sapato e criou discursos para convencer o eleitorado. Nenhum prefeito chega ao cargo por imposição de alguém. Chega porque quer, e muito.
Segundo: a situação financeira de estados é prefeituras é mais que conhecida. Além da crise, que é geral, há os eternos problemas de ineficiência, comuns a órgãos públicos. E terceiro: se alguém se elegeu disposto a resolver problemas (coisa prometida em campanha), que resolva, que pare de choramingar.
Não tem cabimento uma empresa contratar um executivo para colocar ordem na casa e este, para justificar sua inoperância, afirmar que a empresa tem dívidas, que está quebrada ou coisa parecida. Nas prefeituras a história é a mesma. Prefeito eleito recebeu a confiança do eleitor para resolver problemas.
Hà ainda um costume, uma cultura até, de um novo prefeito passar meses lamentando o fato de haver encontrado uma prefeitura com problemas ou acusando prefeitos anteriores. A história pega durante algumas semanas, mas depois cansa. Cansa mais ainda quando um novo prefeito não perde uma oportunidade sequer para falar da herança maldita.
Se um prefeito que deixou o cargo fez coisas erradas, há o Tribunal de Contas para julgar seus atos e puni-lo, se for o caso. Não cabe ao novo fazer julgamentos. O mesmo serve para vereadores de primeiro mandato, eleitos em outubro, e agora há poucos dias no cargo – descobriram, no dia seguinte á eleição, que vereador não tem tanto poder. Logo, terão dificuldades imensas para cumprir o que prometeram.
Principalmente candidatos que tinham projetos mirabolantes e soluções milagrosas. Não conseguem, agora, empregos públicos para seus auxiliares de campanha; não conseguem tijolo, cimento e areia para quem prometeram casa; não conseguem remédios caros com um ofício, nem trazer para seu bairro as tão sonhadas obras.
Até quando vai durar essa choradeira ninguém sabe, mas já encheu a paciência ouvir todos os dias as mesmas histórias. Passou da hora desses prefeitos e vereadores eleitos e já empossados desmontarem seus palanques, abandonarem seus discursos de campanha e ir ao trabalho de fato.
Foram escolhidos e são pagos para resolver problemas. Se em campanha tinham soluções para tudo, que as coloquem em prática. Se for só pra ficar chorando, melhor ficar em casa. Cama quente é bom lugar para derramar suas lágrimas.





