publicidadespot_img
20.4 C
Jundiaí
segunda-feira, 12 outubro, 2026

Editorial: Promessas de campanha

A cada dois anos, pessoas com pretensão de ocupar algum cargo público, eletivo, submetem-se à votação, e para convencer eleitores (o que não é fácil) usam todos os artifícios possíveis. Artifícios que, resumidos, são as promessas de campanha. Quando eleitos, nem sempre cumprem o que prometeram, provando que a prática do discurso eloquente, do panfleto colorido, das palavras bonitas e bem colocadas são mesmo só promessas.
Eleitos, adotam outra prática, usando argumentos tôlos e corriqueiros, como o desconhecimento da situação, a falta de dinheiro – os percalços do poder. Um exemplo típico e incontestável ocorreu nesta semana, quando o prefeito de Jundiaí, Luiz Fernando Machado, deu por cancelado o Carnaval de rua na cidade, com concordância das ligas que mandam nas escolas de samba locais.
Há dois lados nessa história. Primeiro, que o cancelamento do Carnaval é bem vindo. Não há explicação plausível para se colocar dinheiro nessa festa popular quando falta o mesmo dinheiro para cuidar de doentes, fazer creches ou escolas. E é bom lembrar que não chega a 20 mil pessoas o público nos desfiles – ou 0,5% da população. Nada mais injusto que 99,5% pagarem para a diversão do 0,5% que sobra.
O que pega não é o cancelamento, e sim o segundo lado dessa história: a mentira. Em sua campanha eleitoral, Luiz Fernando afirmou categoricamente que haveria Carnaval, que ele seria maior, mais incentivado. Aproveitou para atribuir um possível cancelamento, na época, “à boataria típica de períodos eleitorais”.
No programa de governo de Luiz, impresso, está escrito no ítem Cultura: “Apoiar a manifestação carnavalesca, blocos de rua e estimular parcerias para captar recursos e fazer crescer coletivos populares”.
Luiz, como candidato, poderia fazer o que seu partido, o PSDB, mais sabe – sair pela tangente. Poderia ter aproveitado sua facilidade de retórica de falar, falar e não dizer nada, e afirmar que o assunto seria estudado com carinho. Mas não. Foi incisivo e categórico. Agora diz que não há condições de fazer o Carnaval. Há vídeos de sobra em redes sociais mostrando os dois discursos.
É isso que assusta. Como candidato, foi autor de inúmeras promessas, algumas, diga-se de passagem, quase impossíveis. Como prefeito está tomando outro rumo, o que leva a população a pensar em como separar ficção de realidade. Como ficam, por exemplo, o caso das UPAs? Há uma, no Novo Horizonte, quase pronta.
Como fica a questão das creches, que de tão grave obrigou o Ministério Público ir à Justiça e proibir a Prefeitura de gastar dinheiro em publicidade enquanto não zerar a fila? Como ficam as novidades, o tal futuro, quando Luiz levou para a Prefeitura figuras mais que conhecidas do eleitor jundiaiense?
Luiz também prometeu não dar subsídios a torto e a direito. Em quase todas as páginas de seu programa de governo, como candidato, cita o termo parceria, dando a entender que nada mais sairia do cofre público para festas e outros regalos. Mas saiu. A Imprensa Oficial de quarta (25) publica o repasse de R$ 410 mil para a Associação Agrícola de Jundiaí, referente à Festa da Uva.
Há esperanças. O prefeito é um político novo, e que já foi vereador, vice-prefeito, deputado federal e estadual. Pode melhorar muito ainda, mas precisa afinar o discurso, afirmar o que realmente vai fazer, sair das promessas vãs. E aproveitar também para melhorar seus programas de governo – no último, por exemplo, prometeu implantar o Procon nos bairros. O Procon nos bairros existe desde 2013, não precisa implantar mais nada.

Novo Dia
Novo Diahttps://novodia.digital/novodia
O Novo Dia Notícias é um dos maiores portais de conteúdo da região de Jundiaí. Faz parte do Grupo Novo Dia.

SUGESTÃO DE PAUTAS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

PUBLICIDADEspot_img
publicidadespot_img
publicidadespot_img

Deixe uma resposta