Como a crise financeira afeta o relacionamento dos casais

Crise afeta o relacionamento entre parceiros de diversas formas

Em fevereiro foi realizada uma pesquisa afirmando que 40% dos casais brasileiros brigam por causa de dinheiro. Em 2014, o índice atingia cerca de 17% dos casais segundo a mesma fonte. Ao compararmos os dois resultados, evidenciamos o quanto a crise econômica pela qual o país atravessa tem gerado desgastes nos relacionamentos conjugais e familiares.
São vários fatores que fazem com que tantos casais entrem em atrito por conta de questões financeiras. Entre outros, um deles é a falta do dinheiro em si, e o outro é a ideia da possibilidade da falta. Ou seja, o grande drama da escassez. As brigas acontecem por conta de situações reais, quando um ou ambos os parceiros estão fora do mercado de trabalho gerando um decréscimo no orçamento familiar e também por conta da possibilidade do que pode vir a ser. Muitas pessoas ouvem notícias a respeito da crise e do desemprego, e entram na sensação de falta como se elas próprias já estivessem fora do mercado de trabalho.
Por conta do medo da falta e do receio de não dar conta de cumprir com as necessidades básicas, as pessoas entram em um estado emocional limitador: “crash”. Nesse caso se tornam reativas, fechadas, irritadas, feridas e ficam incapazes de pensar com clareza. Nessa situação, o indivíduo ao invés de abrir o jogo, dialogar com seu cônjuge, acaba afastando seu parceiro por conta desse comportamento inadequado, através da linguagem agressiva e cheia de carga emocional limitante ou através dos comportamentos (gestos provocativos, falta de paciência, mau humor, pessimismo, etc.).

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Outro fator que distancia os casais e os levam a desentendimentos está no deslocamento da atenção para uma única área da vida em detrimento das demais. O medo de ser demitido, por exemplo, faz com que as pessoas passem muitas horas no trabalho e, por consequência, sacrifiquem momentos de lazer, saúde e convívio familiar. Sem descanso e com preocupação em excesso, a criatividade e a produtividade tendem a cair e o stress aumentar. O ciclo se torna vicioso. Um outro problema que também se acentua nessas situações é o efeito de “compensação”. Quando uma pessoa se sente cansada e estressada, com medo da falta, tende a querer compensar esse vazio de algum modo. Muitas vezes direciona essa frustração para o excesso de comida, bebida ou compras por impulso. “Eu mereço ter algum prazer já que estou trabalhando tanto, sofrendo tanto, etc.” Depois da impulsividade vem o sentimento de culpa. Por esse motivo e para evitar brigas escondem do parceiro os excessos cometidos.
Um dos motivos do distanciamento conjugal é o fato que em momentos de crise, um ou ambos ignoram o que é o valor primordial do parceiro. Na hora de colocar no papel as prioridades de compras é importante levar em consideração os valores e gostos individuais. Ou seja, o que é bobagem para um pode ser de grande importância para o outro. É possível chegar ao que realmente importa quando existe diálogo e respeito mútuo.

O ideal seria que os casais pudessem ajustar os valores e comportamentos nesses momentos de dificuldades, encontrando equilíbrio emocional para lidar com os desafios. Criar o hábito do diálogo aberto e franco, de modo que juntos possam encontrar as soluções. O curioso da mesma pesquisa é o fato que 70% dos casais que brigam por conta das questões financeiras planejam o futuro incluindo o parceiro, o que evidencia ainda mais o fato das brigas serem pontuais diante das adversidades. Crises vêm e passam como tudo na vida. O importante é ter sabedoria e bom humor para seguir em frente sem perder o que de fato nos é caro e importante: um sorriso, um abraço, um olhar terno e a certeza de encontrarmos apoio na pessoa que amamos e escolhemos para dividir a caminhada.

Hilda Medeiros
Coach e Terapeuta

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