Após mais de uma década de avanços sociais, enfrentamos nesse momento uma imensa reação cujo o maior perigo aponta para um eventual retrocesso do País. Setores dentro e fora do Brasil há muito estavam incomodados com o nosso estabelecimento como uma potência de fato. Essa turma tinha a esperança que as urnas pudessem dar conta de mudar um projeto com tamanho alcance. Falharam. Se pelos meios naturais de uma democracia não foi possível, recorreu-se então a uma elaborada manobra política para poder alojar no planalto o presidente Temer.
Mas, claro, este era apenas o primeiro ato de uma peça, que todos os trabalhadores sabiam, seria de terror. Demorou um pouco para o atual presidente sentir-se a vontade e colocar em curso alguns objetivos daqueles que afiançaram sua aventura.
Nesse momento, o ataque mais visível a tudo aquilo que foi construído até em então, é a reforma da previdência. Entre os pontos mais aviltantes desse projeto, está o que estabelece a idade mínima para aposentar de 65 anos e o tempo de contribuição, que passa para 49 anos. As razões apontadas para dizimar um dos poucos portos seguros que o brasileiro se agarra enquanto trabalha são tão frágeis quanto a legitimidade de quem está propondo.
Num vídeo divulgado pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal, por exemplo, é exposto o fato que em 2015 foram arrecadados 700 bilhões de reais e destinados 640 bilhões para previdência. Em uma jogada fiscal, o governo simplesmente desvinculou para outros fins nada menos que 66 bilhões, o que tornaria a Previdência superavitária, ou seja, sem nenhum prejuízo.
Na verdade, para o trabalhador mais importante que esses números é o fato duro e real que seu futuro está ameaçado, que o governo Temer pode entrar para a história como o verdadeira assassino de um projeto que entrega um pouco de dignidade para as pessoas, ainda que possa em muito ser melhorado. O que ninguém esperava, era que ele fosse conseguir piorar de uma maneira tão cruel.
O que a gente espera agora é uma reação. E que as ruas sejam finalmente tomadas por algo que une de maneira inequívoca toda população, que seja superada as cores como distinção para quem está desse ou daquele lado e todos possamos passar uma tinta sobre essa proposta antes que ela ganhe a força de uma lei.
Não se deixe enganar – a reforma da previdência vai deixar você sem nada. O governo vai usar o caixa para gastar como quer e empurrar o compromisso da aposentadoria para o mais longe que puder. Ou a gente reage agora ou será tarde demais.
Gerson Sartori
Ex-vereador e líder sindical





