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sábado, 10 outubro, 2026

Idéia de jerico: empresas aéreas querem cobrar por peso

Passageiros mais magros seriam beneficiados, enquanto os gordinhos pagariam mais por suas viagens de avião
Todo mundo sabe que a aviação é uma questão de peso – quanto maior o peso, maior o consumo de combustível. Assim, ao longo dos anos, as empresas foram tirando o excesso. Deixaram de distribuir jornais, servir refeições e bebidas, e hoje é um miserê de chorar – bons tempos os da Ponte Aérea nos Electra da Varig.
Agora algumas delas estão pensando em cobrar as passagens por quilo. A justificativa é que os assentos, que hoje têm entre 42 e 46 cm de largura, não são suficientes para alguns passageiros com corpo exagerado, e que isso provoca desconforto nos demais.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade mais do que dobrou em todo o mundo desde 1980. Em 2014, mais de 1,9 bilhão de adultos estavam acima do peso, e mais de 600 milhões eram considerados obesos.
Em setembro, o advogado italiano Giorgio Destro entrou com um processo contra a Emirates alegando que seu conforto no vôo foi prejudicado por um passageiro obeso sentado a seu lado. Destro afirmou que não conseguiu se sentar adequadamente na poltrona e acabou de pé ou sentado nas poltronas da tripulação durante a maior parte das nove horas de trajeto entre a Cidade do Cabo e Dubai.
Defensores dos direitos dos obesos argumentam que o problema tem que ser tratado como distúrbio de saúde. Defensores dos direitos de passageiros argumentam que a maioria das aeronaves não tem capacidade para acomodar a variedade de tamanhos existentes no mundo, ao mesmo tempo em que todos têm o direito de voar.
Muitas companhias aéreas responderam à crescente epidemia de obesidade apenas insistindo para que passageiros com sobrepeso comprassem dois assentos para garantir sua segurança e conforto. Às vezes, a empresa até oferece um reembolso se houver pelo menos uma poltrona vazia no vôo.
Recentemente nasceu uma nova taxa. A Samoa Air, que opera vôos domésticos nas Ilhas Samoa, agora cobra os bilhetes por peso do passageiro (o que ficou conhecido como a taxa de peso). Mas será que, além de todas as despesas extras que agora parecem surgir do nada – da cobrança por malas despachadas ao pagamento de comida e bebida a bordo – não se trata de mais uma maneira de essas empresas lucrarem?

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