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sábado, 10 outubro, 2026

Ligabó, médico e vereador, não se considera político

Ele doa o salário para entidades assistenciais, é totalmente contra reeleições e está no meio por idealismo
Com campanha eleitoral modesta – gastos de apenas R$ 1050 – Wagner Tadeu Ligabó conseguiu se eleger vereador naprimeira disputa e foi o terceiro candidato mais votado – 4036 votos. Feitonotável se forem levados em conta os altos gastos em campanha e que a Câmara Municipal é formada, em sua maioria, por velhos personagens da política local.
Formado em 1976 pela Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Ligabó é cirurgião cardíaco, por formação, cardiologista, por consequência, e responsável pela fundação da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo Regional – da qual foi presidente durante 10 anos.
A motivação para se aventurar nas águas tortuosas da política foi um impulso pessoal. Ao longo dos mais de 30 anos trabalhando no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), o cirurgião notou a ausência de representação política do HSVP para mediar as necessidades do hospital com o poder público e por isso decidiu se candidatar ao cargo.
“O São Vicente é uma instituição particular, filantrópica e sem fins lucrativos, e tem como seu principal cliente a Prefeitura, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Antes, existia um grande vazio de interface entre a Prefeitura e o hospital. Essa foi minha motivação, ser o representante político do hospital”, explica.
Além da campanha modesta, outra postura que chama atenção é o fato de Ligabó doar seu salário de vereador para instituições filantrópicas do município. O repasse é feito por meio de ações que beneficiem a instituição, como compra de material, patrocínio e até mesmo bolsa de estudos, nunca em dinheiro.
Desde que tomou posse como vereador, Ligabó tem visitado todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e realizado uma pesquisa por amostragem, no qual irá mapear e detalhar as condições de cada uma. O vereador defende que 80% dos casos de saúde podem ser resolvidos na Atenção Primária à Saúde (APS) – boa alimentação, higiene, condição sanitária e etc. –, por isso é indispensável que as UBSs estejam em boas condições e pleno funcionamento.
“De modo geral temos percebido que cada UBS tem sua particularidade. Indo desde iniciativas espetaculares, que independem do poder público já que é feita pelos próprios funcionários da unidade, para problemas crônicos que poderiam ser resolvidos facilmente. É justamente esse a finalidade dessa visita, mostrar onde poder ser melhorado”. O resultado da pesquisa será tornado público.
Mesmo que nesses quatro meses como vereador já tenha realizado muitas ações e mostrado a que veio, quando se fala em política Ligabó possui um tom de desapontamento. “Sem dúvida operar um coração é mais fácil do que fazer política. Porque no coração eu sei onde está o problema, na política eu não sei”, lamenta.
São Vicente e Hospital Regional
Wagner Ligabó explica que o sistema de saúde é dividido e organizado por níveis de atenção com a finalidade de promover melhor atendimento à população. Cada nível corresponde a determinado conjunto de serviços prestado ao usuário – indo desde os mais básicos aos mais complexos.
Os níveis são: primário, que corresponde à saúde básica; secundário, correspondendo às especialidades (dermatologia, ortopedia, cardiologia e etc); e terciário, que corresponde aos hospitais de grande porte (alta complexidade), subsidiados pela esfera privada ou pelo estado.
O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) é vocacionado para atendimentos da esfera terciária. Ou seja, de alta complexidade e rede de urgência e emergência. Mas na prática não é isso o que acontece. Ainda hoje o HSVP é responsável por realizar cirurgias de baixa e média complexidades, que na teoria seria responsabilidade do Hospital Regional. Isso gera um déficit orçamentário e prejudica a população.
“Por mês o São Vicente tem um déficit mensal de R$ 3,5 milhões, se o Hospital Regional tivesse sua vocação plena, além equilibrar as contas desafogaria muito o São Vicente”, pondera Ligabó e que conclui. “O São Vicente sempre sobreviveu, talvez porque o próprio santo o proteja”.

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