Sem parceiros para bancar a equipe, Divino Salvador acaba com o basquete de competição, mas mantém projeto social
Era uma jogada cantada. No fim do ano passado, notícias circularam sobre a incerteza do Divino Salvador continuar ou não com sua equipe de 15 atletas que formavam o basquete de competição. Na terça-feira (13), o padre Samuel Alves Cruz, diretor do Divino de Jundiaí e Itu, anunciou oficialmente o fim de uma era.
Por parceiros, entenda-se patrocinadores. No fim do ano passado havia até uma vaga promessa de três possíveis interessados. Nenhum deles quis continuar colocando dinheiro no esporte. O único parceiro que sobrou foi a Prefeitura – insuficiente para bancar os custos, que o padre não disse quanto.
As 15 atletas estão liberadas para procurar outras quadras para jogar – nenhuma delas estuda no colégio, algumas fazem faculdade. “A idéia é expandir nosso projeto social, que existe há dez anos e que já atendeu mais de 500 famílias”, diz o padre. Expansão, no caso, é levar outros esportes à prática dentro do projeto, sem ficar de olho nas competições oficiais.
O basquete feminino no Divino Salvador começou tímido, coisa amadora, que envolvia somente suas alunas – aceitas a partir de 1966. O maior incentivador do basquete foi o então diretor do CDS, padre Olivo Binotto. Foi então que surgiu uma aluna, a Paulinha, que aos poucos se tornou Paula e hoje é reconhecida como Magic Paula.
Paula estava no CDS desde 1976, o basquete já conquistava títulos com facilidade. Em 1979, Paula tinha 17 anos e comandou a equipe, que representou Jundiaí, que conquistou os Jogos Abertos do Interior em Araçatuba. Mas Paula se transferiu para a Unimep, onde ganhou mais projeção.
No ano seguinte, a Cica (Companhia Industrial de Conservas Alimentícias), que estava em Jundiaí, resolveu patrocinar o Divino. Deu barulho. Paula voltou, e em 1988 o Divino foi vice-campeão estadual. No ano seguinte, sem Paula (que havia se mudado para a Espanha) e com o patrocínio da Perdigão, o Divino foi longe – ganhou a Taça Brasil e em 1990 foi campeão sul-americano no Equador.
Em 1992, o padre Olivo foi para o Colégio Moema, em São Paulo, e o Divino interrompeu suas atividades no basquete durante algum tempo. Mas já não era mais o mesmo. Na terça-feira, padre Samuel tornou oficial o que já era esperado. Foi o fim de uma era.





