Ministério da Saúde alegou outros critérios – não previstos antes – e negou credenciamento à UTI do Grendacc
A história enrolada começou na semana passada, e foi mais um problema colocado em todos esses anos de existência do Grendacc – Grupo de Apoio à Criança com Câncer. O Ministério da Saúde negou credenciamento para os leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Grendacc alegando que o mínimo de leitos necessários seriam 50.
A história é enrolada porque, quando o Grendacc se preparou para isso, os critérios eram outros, que mudaram na semana passada, e agora, nesta semana mudaram novamente. Na semana passada o mínimo era de 50 leitos. Agora são precisos 60. Típica desculpa que tem não tem a mínima vontade de resolver qualquer problema.
Sem o credenciamento, o Grendacc não pode receber verbas do Ministério da Saúde, o que torna inviável o funcionamento da UTI – neste ano já foram duas cirurgias de alta complexidade.
O Grendacc tinha atendimento ambulatorial, mas em 2014 precisou apressar para atender exigências que o colocassem na Rede de Oncologia do Estado – coisa já aprovada antes. Com ajuda da comunidade, doações e envolvimento de figuras notáveis da sociedade local, ampliou a área clínica, construiu uma ala de internação, o centro cirúrgico e a UTI. E isso seguindo à risca todas as normas da Secretaria Estadual de Saúde.
O Grendacc, nesse tempo, construiu o Hospital da Criança (único na região) e foi aprovado pelo Estado. Mas em Brasília a história foi outra. O hospital tem 11 leitos para internação e 5 de UTI. O Ministério da Saúde exigiu 50 leitos na semana passada, e 60 nesta. O hospital foi inaugurado em janeiro passado e começou funcionar no dia 1º de março. De lá para cá foram 10 procedimentos e 60 internações – 10 de UTI.
“Atendemos em média 500 crianças por mês – explica a presidente do grupo, Verci Andréo Bútalo. Como fica a situação das crianças que estão sendo atendidas aqui?” Verci explica ainda que para pedir o credenciamento precisaria estar funcionando.
“O Hospital da Criança vem funcionando desde março – afirma ela – acumulando prejuízos, uma vez que os custos de manutenção se multiplicaram”. E não é pouco. Para se manter, o Grendacc deixou algumas contas para trás, mas mesmo assim já passa de R$ 400 mil de dívidas.
O Grendacc sempre sobreviveu graças à ajuda de jundiaienses e outros abnegados da região. Atende crianças com exames, sessões de quimioterapia (há até uma sala de aula para que crianças internadas não fiquem fora do ritmo) e outros procedimentos. No ano passado foram 44 mil atendimentos.
Mais um dado: os cinco leitos de UTI do Grendacc representam 25% dos leitos de UTI na área de pediatria de toda a cidade. “Mas não tem jeito, só esperança. Se não tivermos credenciamento podemos fechar a UTI”, conclui Verci. Na terça passada (13) estava marcada manifestação em favor do Grendacc na Câmara de Jundiaí.





