A indústria da moda caminhou durante longo período sem implantar novas ideias em seus sistemas. Para criar novas coleções, as apostas se baseavam em análise da venda de coleções anteriores, com algumas pitadas de intuição sobre o que seriam os best-sellers para a próxima temporada.
No entanto, recentemente o velho sistema começou a entrar em colapso em razão de mudanças revolucionárias e irreversíveis. Tais transformações têm provocado uma revisão nos antigos processos de planejamento e desenvolvimento de coleções e favorecido uma verdadeira renovação no setor. São elas:
Renovação rápida de produtos imposta pelo fast-fashion, que desenvolveu seu modelo de negócio com eficiência, com inserção de produtos novos a cada 6-8 semanas, garantindo o retorno do cliente às lojas com uma quase precisão de um relógio.
Atualmente, vivemos no império da instantaneidade. E é inegável que a indústria da moda foi completamente transformada pelas redes sociais e pelo surgimento de novas plataformas B2B e B2C. Os consumidores de agora são camaleônicos e estão treinados para acreditar que podem ter o que querem e imediatamente.
Novos meios de comunicação: redes sociais, transmissões ao vivo e equipes de marketing inteiras dedicadas a multiplicar os canais de contato com o consumidor. Propriedade intelectual dos designers e a vulnerabilidade ao fast fashion – em um mundo conectado, as coleções lançadas com muita antecedência estão totalmente suscetíveis à cópia.
Crescimento do e-commerce e do m-commerce (compras por meio de celular) permitindo que os consumidores comprem com um simples clique e recebam seus produtos em prazos cada vez mais curtos. Nas lojas on-line os custos de operação são mais baixos em termos de armazenamento, logística, aluguel.
Neste novo contexto, vale destacar que as indústrias de confecção, independentemente de seus modelos de negócio ou porte, passaram a enfrentar novos desafios. Embora não exista um só caminho, já que devemos considerar caso a caso para construir soluções customizadas, ressaltam-se algumas práticas que têm norteado a adequação dos processos na importante etapa anterior à produção.
CHRISTINA RANGEL
Consultora de moda do Senai-RJ





