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Pai Alexandre Falasco

Fechamento de Corpo

Vou fazer uma pequena pausa na nossa série de artigos sobre as giras de umbanda para falar de uma experiência muito especial que repetimos no nosso Brarracão e sei que acontece de forma similar em muitos terreiros. O Rito de Sexta Feira Santa. Vou descreve-lo como acontece em nossa casa.

Entrar no terreiro numa Sexta-feira da Paixão é ver muitos médiuns de branco, de pés descalços, sendo lavados fluidicamente pelo chão sagrado da sua igreja-terreiro, ainda é o sol da tarde que entra pelas telhas e ilumina os galhos de ervas de “para-raio” amontoados, que aguardam as benzeduras do Preto Velho Pai José para, enfim, estarem totalmente prontos para seu uso ritual, o sacudimento de limpeza que antecede a unção.

Este é o dia de trabalho de fechamento de corpo. Neste trabalho, as Iabassês já prepararam o tacho de óleo de oliva e o alho, que também serão mirongados pelo Preto Velho e ungirão todos os membros da comunidade, com o sinal da cruz na fronte, no peito, nas mãos e nos pés, sinal feito por cada presente, uns nos outros, numa simbologia única da Casa, que representa a união e no nosso caso, o próprio surgimento do Barracão de Pai José de Aruanda.

É um dia em que os Pais de Santo e Médiuns Passistas, sem incorporação, realizam um ritual muito importante, que antigamente era realizado por benzedeiras católicas, em suas casas, como legítimas mediadoras das forças de Deus e seus santos representantes. O médium tem esse poder. Ele é, acima de tudo, um benzedeiro.

Este rito de unção, por pedido do Pai José, repete simbolicamente o surgimento do Barracão, reúne inicialmente os primeiros membros da casa, os fundadores, que são ungidos pelo Preto Velho, e em seguida estes fundadores ungem os médiuns passistas, que por sua vez, ungem os demais iniciantes e assistidos.

Acontece que o Barracão de Pai José surgiu assim, num quintal, onde esses fundadores se reuniram para celebrar exatamente este rito de fechamento de corpo, e em pouco tempo, outros membros foram surgindo, sendo recebidos e ungidos pelo amor dessa comunidade, que depois trouxeram outros, e assim por diante, até se formar a comunidade-terreiro que conhecemos hoje.

A Sexta-feira santa não é uma data umbandista e sim católica, mas a Umbanda tradicional é cristã, e une em sua liturgia fundamentos de outras religiões, sempre adaptando estas liturgias aos seus fundamentos que são guiados pelas entidades regentes de cada Casa.

Jesus, o maior médium que já existiu – pois curou pessoas intermediando a força de seu pai, Deus, através do passe mediúnico, – quando questionado pelos fariseus sobre sua divindade respondeu: “Sois deuses, todos somos, basta ter fé no Pai, e farás o que fiz ou até mais”, está na Bíblia. É este Jesus humilde que morreu por nós quem é celebrado nestes atos da Sexta-feira santa, num rito que segue humilde e rigorosamente os seus ensinamentos.

Ao final destes sagrados rituais, quando os raios de sol não mais penetram e a noite já se faz surgir, é hora de acionar outras forças que complementarão o ritual de fechamento de corpo dos médiuns. É hora dos Guardiões, dos Exus e Pombagiras, que vão finalizar este rito trazendo sua proteção já bem conhecida dos umbandistas, contra qualquer força de espíritos mal-intencionados, encarnados ou não, completando assim uma verdadeira blindagem que garantirá a sequência de um novo ciclo de trabalho de caridade desta família religiosa.

por pai Alexandre Falasco 

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