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Márcia Mazzei

2018, o que eu fiz com você, meu irmão

A frase é clichê, mas vez ou outra dá as caras na timeline do facebook ou no feed do instagram. No melhor estilo de O Segredo, aparece dando o seu recado: Há pessoas que vivem a vida, enquanto outras assistem ela passar pela janela.

Vejo as ruas lotadas de gente com sacolas nas mãos e a previsão das concessionárias de que milhões de veículos devem deixar a capital e, tem jeito não, acho que chegamos a mais uma reta final. Lá se vão os quase 365 dias de mais um ano.

Mês passado encontrei um velho amigo com quem estudei no ginásio (antigo ensino fundamental). Entre um assunto aqui e uma recordação ali do nosso papo filosófico-saudosista, ele se referiu a 2018 como uma prova de três mil metros com obstáculos. Se você está lendo essa que te escreve, comemore. Segundo esse meu amigo, hoje médico endocrinologista, fazemos parte do rol de sobreviventes. Todo o resto adoeceu, enfartou ou se matou em 2018.

Olhando por esse ponto de vista até parece consolador, mas não me convence. Não para mim que sempre fui adepta da arte de viver 100 anos a mil. Eu que considero dormir uma perda irrecuperável de tempo, que sempre me angustio quando penso que aquela famigerada listinha de tarefas diárias vai ficar, mais uma vez, com uma série de coisas para o dia seguinte.

E porque digo tudo isso. 2018 foi como uma grande tela em branco que se abriu a minha frente logo que pulei as tais ondinhas em janeiro e assim permaneceu por praticamente os dias, meses e agora o ano que passaram.
No começo achei que era necessário esse momento de recolhimento, reflexão, entendimento. Precisava trabalhar minhas emoções, me recuperar de mais um tombo (não foi o primeiro e não será o último) e, simplesmente, seguir em frente.

Tecnicamente era esse o plano para 2018. Não me lembro de ter feito outro projeto mais ousado para os 365 dias que viriam pela frente. Até porque sabia que se fracassasse o estrago seria grande. O bom lutador sabe a hora de avançar, de parar e entende o momento de recuar.

Acontece que esse período de reclusão virou ano sabático. Eu não assisti a vida passar pela janela, porque simplesmente eu sequer abri a janela. Não foi depressão, nem tristeza. Foi silêncio. Foi um encontro necessário que eu tive com coisas importantes da minha vida que ao longo do tempo se perderam.

Faz parte do processo, mas não da arte de viver. O tempo é como o dinheiro: não leva desaforo para casa. O tempo é ainda mais cruel. Nunca mais eu terei um 7 de setembro de 2018, um 20 de março de 2018, um 4 de julho de 2018. 

Pior: não sei se terei um 7 de setembro de 2019, um 20 de março de 2019, um 4 de julho de 2019. Por ora, sei que tenho hoje, tenho essa fração de segundos para tratar de ser feliz. Como? Bom, aí é comigo.

Quanto a 2018, meu irmão, sei que você já está de partida. Não te dei valor, não estive presente, não aproveitei os dias que você me concedeu, apenas sobrevivi, mas como sobrevivente agradeço porque com você aprendi como é deixar de viver.

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