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Leandro Salgentelli

Se pudesse voltar no tempo

Eu tinha acabado de acordar e em seguida fui tomar café, sem muito o que fazer, fui remexer na minha vida. Digo, fui arrumar algumas papeladas que estavam meio que jogada na última gaveta aqui de casa. No meio daquele mundaréu de papéis, contratos e folhas de pagamentos, encontrei uma carta com um roteiro a qual tinha que fazer em 2012.

Tinha até me esquecido dessa carta que um dia escrevi para mim mesmo. Eu devia ter uns 16 anos quando escrevi naquele papel já amarrotado. Lá eu dizia que em 2012 tinha que tirar carta de motorista, tinha que arrumar um emprego descente, tinha que comprar um carro, ah, e encontrar o amor da minha vida.

É frustrante demais não conseguir realizar o que se está num checklist. Mas sem muito drama fechei a gaveta, joguei aquela carta fora e fui me distrair com outras coisas. À noite, deitado sobre a cama, fiquei pensando no que fiz da minha vida até aqui — sendo “até aqui” aos meus 22 anos.

Porque acredito que todo final de ano é uma oportunidade para reavaliar as nossas escolhas, remexer nas dúvidas, repensar em tudo que fizemos. Mas a cada pensamento chego à conclusão que preciso me dar alta. Parar de pensar, parar de questionar e me abrir para a vida que está por vir.

Sou bem realista e sei que o que está por vir não será tão diferente do que está nos acontecendo agora. Vamos continuar se repetindo, continuaremos a resmungar pelas mesmas queixas porque a vida por si só é repetitiva demais. Este não é o primeiro Natal, não é a primeira vez que ficamos a questionar o que nos acontece, não é a primeira vez que brindamos sabe se lá o quê. 

Mas não era disso que eu estava falando, lembra? Eu estava falando em me dar alta e parar de arquitetar as coisas e abrir o espírito para se encantar com viagens, árvore de Natal, amigos secretos e presentes — que mania de colocar o ego sempre em primeira instância.

Ah, se eu pudesse voltar no tempo… Faria como Sérgio Britto ao compor a canção “Epitáfio”, interpretada por Titãs. “Devia ter complicado menos/ Trabalhado menos/ Ter visto o sol se pôr/ Devia ter me importado menos/ Com problemas pequenos/ Ter morrido de amor.”

Ah, eu devia… eu devia ter colocado naquele checklist para se divertir mais, para pensar menos, para ponderar menos ainda e deixar o amor nascer. Eu devia deixar a paixão falar mais alto, eu devia me arriscar no desconhecido e ver no que poderia acontecer.

Eu devia ter chutado o balde e amar incansavelmente aquele amor que parecia impossível. Eu devia ver o pôr do sol nascer… Ah, se pudesse voltar no tempo… eu faria tudo diferente, mas fazer diferente comprometeria a pessoa que sou hoje. E gosto da pessoa que sou hoje.

Então, que façamos a partir de agora — afinal, o ano ainda não acabou. Feliz Natal.

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