Por essa ninguém esperava, mas pesquisadores da Universidade Malaysia Sarawak, na Malásia, estudaram os efeitos da música eletrônica no mosquito Aedes Aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika, febre amarela e Chikungunya. Para o teste, eles escolheram a música. “Scarry Monsters and Nice Sprites”, do produtor Skrillex, e constataram que enquanto a música tocava os mosquitos se reproduziram menos e também picaram menos.
Em insetos, vibrações de baixa frequência facilitam a hora do acasalamento, mas barulhos podem atrapalhar sua percepção de sinais vindos de outros insetos e de humanos.
Segundo estudo, no caso dos mosquitos, o som emitido por eles vem do batimento das asas (o mesmo zumbimento que escutamos no ouvido) e o batimento das asas possui uma frequência específica tanto para os machos quanto para as fêmeas. Para a cópula, essas frequências podem ser alteradas e “acertadas” entre machos e fêmeas, para entrem numa sintonia.
Outros estudos tentaram entender como é a resposta de mosquitos às músicas, já que é conhecido que eles respondem à frequência sonoras além das mais básicas. Porém, nenhum estudo havia tentado entender o impacto da música como possível agente repelente.
Segundo Tamara, as antenas dos mosquitos funcionam como órgãos sensórias que percebem vibrações e são sensíveis a ondas, por isso existe a ideia de repelentes ultrassônicos, que não são perceptíveis aos ouvidos humanos, mas afastariam os mosquitos.
Um desses sons ultrassônicos imitaria, por exemplo, o batimento das asas de predadores de mosquitos. Entretanto, não há confirmação científica da eficiência desse método de repelência.
Abaixa o som
Para a pesquisa, os cientistas, criaram dois ambientes: um com e outro sem música e compararam as taxas de visitação, alimentação e reprodução dos mosquitos em cada um.
As fêmeas de Aedes expostas à música visitaram o ambiente mais tarde que o normal, menos vezes e também se alimentaram menos. Além disso, os mosquitos expostos à música copularam muito menos do que os mosquitos no ambiente sem música.
O estudo pode abrir caminho para que novas formas de repelentes ultrassônicos sejam testadas, mas Tamara alerta que é preciso mais avanços.
Associações entre música e amimais já foram feitas anteriormente. No caso dos mosquitos, por perceberem ondas sonoras, talvez a música seja percebida também. Responsáveis pelos estudos lembram que os experimentos foram realizados com a música tocando bem próxima dos mosquitos, o que invalida a ideia de colocar som alto dentro de casa para espantar as picadas.





