As empresas aéreas afirmam que estão ficando melhor em não perder bagagens, em parte por causa das novas tecnologias de rastreamento. Mas milhões de malas ainda se perdem a cada ano. Será então que isso não é suficiente?
É uma sensação terrível – esperar pela bagagem na esteira do aeroporto, enquanto todos os outros passageiros já pegaram a deles. E a sua mala não aparece.
Uma experiência frustrante para milhões de passageiros. Mas por que isso acontece?
Como uma indústria que usa as mais recentes tecnologias em suas aeronaves e sistemas de controle de tráfego aéreo ainda pode ser tão atrasada quando se trata da nossa bagagem?
Vamos começar com as boas notícias.
A Sita, órgão internacional que monitora o manuseio global de bagagens, afirma que o número total de malas “mal manuseadas” caiu de 46,9 milhões em 2017 para 24,8 milhões em 2018.
E isso aconteceu durante um período em que o número total de passageiros aéreos quase dobrou.
Os investimentos em tecnologias de rastreamento, diz a Sita, estão valendo a pena.
Por exemplo, a empresa americana Delta agora inclui um pequeno chip RFID (identificação por radiofrequência) na tradicional etiqueta de código de barras que é colocada na alça da mala no momento do check-in. Isso significa que cada bagagem pode ser escaneada automaticamente pelos aparelhos à medida que passa pelo sistema aeroportuário.
Desta forma, as malas extraviadas podem ser identificadas mais facilmente por meio de um sistema de monitoramento central.
“Das 150 milhões de bagagens que movimentamos a cada ano, cada uma recebe uma etiqueta”, diz Gareth Joyce, executiva da Delta.
A empresa aérea afirma manusear agora “perfeitamente” 99,9% das malas de seus clientes.
Outras companhias também estão incorporando as etiquetas RFID e scanners móveis nas bagagens.
Mas 25 milhões de malas ainda estão extraviadas ou perdidas a cada ano. Por quê?
Quase metade de todas as malas perdidas se deve a problemas relacionados a transferências de voos, diz a Sita.
Voos atrasados apresentam efeitos colaterais – sua mala simplesmente não chega ao voo de conexão a tempo. E uma proporção significativa de bagagens perdidas está relacionada a passageiros ou carregadores que simplesmente pegam a mala errada.
Outro fator que contribui pode ser a complexidade do sistema de manuseio de bagagens. Em alguns aeroportos, as companhias aéreas empregam seus próprios carregadores, mas em outros, esses profissionais são independentes e contratados para atender a várias empresas.
A norma da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) para codificar informações sobre bagagens data de 1989. E o sistema de etiquetas de códigos de barras existe desde os anos 1950. Em alguns aeroportos menores, nem sequer essas etiquetas são escaneadas rotineiramente.
A empresa provedora de tecnologia Zebra, por exemplo, anunciou recentemente que forneceu 230 computadores portáteis para carregadores de bagagem em 14 aeroportos gregos, apenas para permitir que eles façam a leitura dos códigos de barras das etiquetas nas malas.
“Tinha muito papel e caneta”, diz Dean Porter, da Zebra.
Com muitos turistas viajam de ilha em ilha, isso às vezes resulta em muitas malas extraviadas. Uma experiência com a qual passageiros que utilizam pequenos aeroportos na Europa também podem estar familiarizados.
Uma revisão deste sistema é esperada há muito tempo.
No ano passado, a Iata apresentou um novo regulamento – a Resolução 753 – com o objetivo de fazer com que as companhias aéreas e os aeroportos cuidassem melhor de nossas bagagens.
As malas agora devem ser checadas em vários pontos-chave ao longo da jornada, explica Andrew Price da Iata, inluindo quando são colocadas dentro do avião e quando entram no sistema de transferência nos aeroportos.
E, no mês passado, a associação votou a favor da implementação de etiquetas RFID em todo o setor, medida que poderia representar uma economia de US$ 3 bilhões, mesmo depois de levar em conta os custos de novos equipamentos e sistemas de monitoramento.
Tentar localizar malas extraviadas e transportá-las para clientes insatisfeitos custa muito tempo e dinheiro.
“Considerando que o setor de bagagem é visto como uma área maçante existe uma enorme quantidade de tecnologias e investimentos interessantes”, explica Price.
A Delta, por exemplo, está experimentando a tecnologia de machine learning (“aprendizado de máquina) para identificar padrões de bagagens perdidas e descobrir pontos fracos no sistema, como destinos específicos ou tipos de malas que são mais problemáticos que outras.
Outras inovações incluem aplicativos de companhias aéreas que atualizam os clientes sobre a localização de suas malas em determinado momento. Embora isso não afete necessariamente o modo como a mala é manuseada, os passageiros parecem gostar de ter mais informações na palma da mão.





