Apesar dos tempos difíceis e do ajuste fiscal, não houve qualquer empecilho para a Câmara dos Deputados, que decidiu gastar R$ 20 milhões para reformar os 81 gabinetes e incluir uma banheiro próprio para cada deputado.
As salas ficam no chamado anexo 3, um dos prédios adjuntos ao edifício principal do Congresso. A ala abriga os únicos gabinetes sem banheiros próprios. Quem despacha ali, precisa dividir os toaletes comuns, localizados nos corredores, com funcionários e visitantes. No anexo 4, por exemplo, cada sala possui o seu próprio banheiro, que muitas vezes acaba sendo privativo do parlamentar. Os deputados do anexo 3 decidiram que também querem ter seus banheiros individuais.
As obras já estão aprovadas e devem ter início no próximo semestre. ideia é encabeçada pela 1.ª Secretária da Câmara, a deputada Soraya Santos (PR-RJ).
Em contramão, a decisão das obras de R$ 20 milhões não unanime. A herdeira do gabinete nesta ala que era usado pelo presidente Jair Bolsonaro, quando era parlamentar, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) discorda da iniciativa.
“Se fosse alguma coisa para um deficiente físico ou alguém com problema de locomoção, isso até poderia ser feito para essas pessoas. Mas eu não faço questão de banheiro, até porque fico pouco no gabinete, só vou para despachar e já volto para as comissões”, disse.
O deputado Junior Bozzella (PSL-SP), que também ocupa um espaço no anexo 3, segue a mesma opinião colega, mas afirma que a estrutura da Casa “não são das melhores”, mas ressaltou que é preciso poupar recursos públicos.
Os custos:
Em nota, a assessoria de comunicação da Câmara informou que as obras ainda serão licitadas e que os custos estimados são de R$ 6,6 milhões por ano, a serem executados entre 2020 e 2022.
A Câmara justificou que o prédio do anexo 3, erguido na década de 1970, “nunca passou por reformas gerais de suas instalações, que estão obsoletas”. Segundo a Casa, não se trata apenas de erguer banheiros novos, porque há “necessidade comprovada” de trocar sistemas hidráulico, elétrico e de ar condicionado, e de adequar o prédio a normas de acessibilidade, segurança e de combate a incêndio e pânico, “com a melhoria das rotas de fuga”, segundo o texto.





