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Nada de amargor

Recomendações gerais para não haver acidez. Agora, num passe de mágica, vivemos num mundo de paz. Tempo de esquecer as mágoas e os rancores. De reunir família e amigos em torno de uma árvore de Natal, apreciar seus enfeites e até elogiar o algodão colocado como imitação de neve.

Nas ruas, só alegria. O povo feliz, alegre e sorridente, comprando presentes. Comprando roupa nova para o Reveillon. Alguns – muitos talvez – mais felizes ainda, planejando sua viagem ao litoral, não importando o tamanho da fila do pedágio. Não importa como – se será um turista de fato ou só um farofeiro. O importante é a diversão.

Até o IPVA do ano que vem está mais barato. Pouco, mas está. Tempo de fazer listinhas para constar os que irão receber votos de feliz Natal. E outra, menos, dos que vão receber presentes. E a paz de verdade virá da TV, que não terá tanto assunto e entrevista com políticos. Tempo de esquecer todas as tramóias de deputados e senadores. Teremos duas semanas sem eles e suas pseudo declarações.

Para quem não sabia, essa é a mágica do Natal. Muitos irão às igrejas para rezar. Muitos estarão bêbados, trôpegos e falantes – talvez esteja aí  a razão de um salmo: mil cairão à sua direita, dez mil à esquerda e você continuará em pé. Até a bebida fazer efeito, bem entendido. Não importa a bebida também. Serve desde pinga de corotinho a uísque 12 anos. Ou champagne francês.

Vamos nos fartar com os pratos não rotineiros. Também não vai fazer diferença se for bisteca de porco. Ou linguiça, ou um chester com farofa. O fígado que trate de dar conta de nossa orgia alimentar. É assim que deve ser. Reclamar para que?

Não nos preocupemos com dinheiro. Cartão de crédito está no bolso para isso. Como pagar o exagero é outra história, é uma preocupação para depois. Vamos nos deliciar com o espetáculo dos fogos na passagem do ano, quando estaremos acordados para sentir a mudança de ano. Depois, já em 2020, em seu primeiro dia, passearemos por ruas desertas, lembrando-nos que as festas acabaram.

Em janeiro, não precisaremos nos ocupar com pensamentos pecuniários. Material escolar para os filhos? Esquece, o governo dá. Uniforme escolar? O governo também dá. Também não será preciso encher a geladeira para ter o lanche que o pimpolho levará à escola. O governo vai dar merenda também.

Passaremos um mês e tanto meio sabático, porque logo será Carnaval. E aí sim, vamos cair na farra. E em Carnaval, tem-se a impressão que somos obrigados a fazer sexo desvairadamente, tamanha é a distribuição de preservativos. Tamanhas são as campanhas de prevenção a doenças e à gravidez. Ressaca de Carnaval passa logo.

Quarenta dias depois teremos a Páscoa, sinônimo de feriado prolongado. De vadiagem desmedida. De praia novamente, de estradas cheias. Vamos nos divertir à beça. Sem preocupações, sem previsões, porque logo depois teremos Olimpíada. Dessa vez no Japão. Coisa organizadíssima, disciplinadíssima. Hora, então, de comemorar as medalhas.

Passados os jogos, virão as eleições, que escolherão vereadores e prefeitos. Vamos ouvir o que eles terão a dizer e prometer. Para não brigar, fingeremos acreditar. Nâo importa quem forem os escolhidos. Teremos assunto para conversas de boteco e para comentários maldosos – só por diversão. E quando pensarmos que tudo terminou, engano.

Será Natal novamente, com a mesma paz e alegria deste ano. Voltaremos à rotina das compras e das bebedeiras. Das comilanças também. A conclusão é que não é difícil viver feliz. E esse é o lado bom de viver. Basta se alienar. E rir à vontade. Como as hienas.

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