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quinta-feira, 3 setembro, 2026

Hospital utiliza pele de tilápia para tratar vítimas de queimaduras

Apesar de ainda estar em fase experimental, a pele de tilápia já começou a ser utilizada no tratamento de vítimas de queimadura pelo Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, sendo o primeiro no estado a utilizar a pele do peixe de água doce para realizar este tipo de tratamento, que também é feito no Ceará. Segundo os médicos, a técnica é simples, barata e menos dolorosa ao paciente.

A técnica está em fase de avaliação pela Anvisa e passa por estudos nessa fase experimental. A pele da tilápia é rica em colágeno, resistente e elástica, o que contribui para a cicatrização em diferentes níveis.

A atadura com a pele do peixe tampo toda a ferida e é possível ficar na pele durante vários dias, o que acaba por proteger o local da queimadura.

A vantagem é que o uso reduz a dor do paciente durante o tratamento e acelera a cicatrização.

“Você vai ter uma cicatrização mais rápida da ferida. A ferida fica o tempo inteiro protegida, então o paciente sente muito menos dor. Não tem perda de proteínas e líquidos como se estivesse com a ferida exposta. E o tratamento fica muito mais simplificado porque, a partir do momento em que você coloca a pele, ela permanece por volta de dez dias ali. Então, quando ela sai ou vai sendo removida, a ferida já está cicatrizada”, explica a cirurgiã plástica Irene Daherbarra.

Joyce Santos foi a primeira paciente a usar a pele de tilápia. Ela teve 15% do corpo queimado com água fervente no dia 16 de dezembro.

“Eu não senti dor nenhuma. Depois que foi cicatrizando, só coçou muito”, disse a paciente.

No momento, o curativo pode ser usado em pacientes com queimaduras de 2º grau em até 30% do corpo.

Preparação da pele do peixe:

A pele da tilápia passa por diversas fases de tratamento até que seja totalmente desinfetada e estar pronta para o uso. Antes de ser colocada na queimadura do paciente, ela é hidratada. E quando seca, ela é facilmente retirada da região afetada. Além disso, o uso desse tipo de curativo biológico deixa o tratamento mais barato.

Em nota, a Anvisa informou que os responsáveis pelo tratamento devem procurar o órgão para iniciar o processo de registro e regularização. O Ministério da Saúde explicou que o SUS conta com centros de referência na assistência a queimados. Em relação ao tratamento no SUS com o uso da pele de tilápia, o ministério informou ainda que não há procedimento disponível e que até o momento não recebeu nenhum pedido de incorporação do referido tratamento.

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