Excesso de presunção

Foi uma semana de choradeira. Muita gente lamentando o fato do documentário brasileiro não ganhar o Oscar. Houve até teorias de conspiração. Mas poucos enxergaram a realidade. Não só neste ano, mas em outras entregas de Oscar. Não se trata de ideologia, de partidarismo. O problema é qualidade. Acreditar que um filme – seja drama, aventura, documentário – produzido no Brasil vai ganhar um prêmio de tal importância é excesso de presunção.

As diferenças entre o cinema brasileiro e o americano são gritantes. Por aqui não existe gente do nível de Quentin Tarantino, Steven Spielberg, Martin Scorcese ou George Lucas. O melhor que tivemos, aceitem ou não, foi Mazaropi. Por aqui, o cinema é desacreditado, desprezado, porque só faz porcaria. Ninguém ousa investir porque sabe que o prejuízo é certo.

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O pouco que o cinema brasileiro fez até hoje foi bancado por estatais e leis de incentivo. Bem diferente do que os americanos fazem. A Lista de Schindler, por exemplo, custou 25 milhões de dólares, e o dinheiro veio de investidores. Titanic, de James Cameron, custou 200 milhões de dólares – levou 11 Oscars das 14 indicações que teve. Cidade de Deus, louvado como obra prima do cinema nacional, custou apenas 3 milhões de dólares.

Quando Francis Ford Copolla produziu Apocalipse Now teve à disposição metade do exército americano, que forneceu armas e helicópteros. A Força Aérea, os aviões. Quando o mesmo Copolla fez a série O Poderoso Chefão, baseado no livro de Mário Puzzo, reconstruiu a Nova Iorque do início do século passado. Cenário quase real, convincente. Não temos atores do porte de Harrison Ford, de Tom Cruise. Temos somente os “globais”.

E aqui, que tipo de filmes produzimos? Mazaropi foi exceção. Teve a época do cangaço, da pobreza e miséria do país – o melhor que conseguimos foi a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Veio a era da pornochanchada, que dava bilheteria. Produção barata e rentosa. E depois descambamos para o sexo explícito. Produção mais barata ainda. Sem locações, sem efeitos, sem histórias, sem música.

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Sexo e nada mais. Ou o cinema faz isso ou faz filmes baseados em violência, como Carandiru e Tropa de Elite. Há quem goste. Mas gostar é uma coisa e se encaixar nos critérios da Academia de Hollywood é outra, bem diferente. O cinema americano tem história e tradição.

Coisa antiga, dos tempos dos irmãos Marx, de Stan Laurel e Oliver Hardy (O gordo e o magro), de Jerry Lewis, de Jack Lemmon, de Tony Curtis, de John Wayne, de Steve Mcqueen, de Paul Newman, de Richard Burton, de Elisabeth Taylor, de Shirley Temple…

Deixemos de lado as superproduções, os efeitos especiais. No dia em que o cinema nacional conseguir produzir algo simples, inocente, singelo como A Noviça Rebelde, talvez tenhamos alguma esperança de trazer um Oscar. Com o lixo que produzimos, jamais teremos um ET nacional; jamais uma Lista de Schindler.

Mas pelo jeito esse dia vai demorar. Temos autores medíocres, atores e atrizes que são arremedo de interpretação, diretores com estrelismo. Inspiram-se em Velozes e Furiosos, em roteiros mafiosos. Americanos são bem melhores, infinitamente melhores. Até um filme do tipo água e açúcar – Uma Carta de Amor – consegue prender quem o vê até o final. E isso se chama competência.

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