Rumo ao país das maravilhas

Embarcaremos, nos próximos dias, a uma terra diferente. Um país das maravilhas, onde tudo são flores. Pode-se dizer que serão dias anestésicos, inebriantes, sem nada de importante para pensar, a não ser em enredos, fantasias, baterias e no eterno desfile de mulheres com pouca – ou até nenhuma roupa. Veremos em casa a luta pela audiência entre as emissoras de TV.

Ouviremos tanta bobagem de comentaristas e especialistas que nos enojaremos. Mas resistiremos. Vamos até o fim, até a madrugada. Dormiremos ao som do batuque e acordaremos ao som de charangas. Nem vamos tentar evitar essa viagem – seremos considerados alienígenas. Poucos trabalharão na segunda, na terça e na quarta-feira.

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A Globo afirmou que é época de alegria, de extravasar, de se enfeitar com purpurina e gliter. Prefeituras de todo o país farão campanha sobre doenças sexualmente transmissíveis. Distribuirão preservativos a rodo. Sim, no Carnaval, sexo é quase que uma obrigação. Não importa se com namorado, com amigo e até com algum desconhecido interessante. O preservativo não deveria ser distribuído de graça. Se o sujeito paga conta do motel, paga a bebida, coloca gasolina em seu carro, o preservativo precisa ser pago. É o ítem mais barato dessa orgia.

Ouviremos diretores de escola de samba reclamando da falta de verba, do nosso dinheiro. Veremos e ouviremos aberrações nas emissoras de Tv aberta de segunda linha, tipo Rede TV. Serão os mesmos chatos e incompetentes de anos passados que nos dirão o que está acontecendo. Se você está vendo, eles não precisariam dizer nada. Mudos são mais produtivos.

Talvez até discutamos com amigos sobre méritos ou deméritos de quem ganhou ou perdeu. Discussão regada à cerveja, entenda-se bem. A Globo mandou discutir, opinar. Vamos obedecer. Será uma maratona de nádegas, seios e músicas (?) com letras inverossímeis cantadas aos berros. Mas a Globo afirmou que o analfabeto cantante é puxador de samba. Se a Globo falou, está falado.

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Muitos, infelizmente, morrerão nas estradas e até nas cidades. São os que no velório não serão lembrados como bêbados, drogados e irresponsáveis. Serão lembrados como vítimas da fatalidade. Muitos perderão dinheiro e celulares, que serão furtados por pessoas que não tiveram oportunidade de estudar e trabalhar. Vítimas da sociedade, dir-se-ia. Mas será preciso esperar a opinião da Globo.

Com um pouco mais de atenção, notaremos no meio de blocos e escolas pessoas de mais idade. As mesmas que não conseguem ficar cinco minutos em pé numa fila, e invocam a preferência a ser dada a idosos. Mas no meio de bloco e escolas estarão animadíssimas. Talvez a Globo não comente isso.

Quando essa orgia animalesca terminar, certamente haverá muitos arrependimentos. Não tem problema. A Globo vai mostrar católicos indo à igreja para tomar cinzas. Todos os excessos serão perdoados, acredita-se. Não há pecado se há arrependimento – não é isso que nos ensinaram?

E na quarta-feira, a partir do meio dia, estaremos com uma justificativa idiota para apresentar ao gerente do banco. Explicar o estouro do cartão de crédito. Ou o cheque sem fundo. A conta negativa. E então teremos certeza que já voltamos à realidade. Mas vai depender da Globo.

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