Arquivos abertos

O Vaticano abriu na semana passada os arquivos – até então secretos – do período de 1939 a 1958. Foram os anos governados pelo papa Pio XII (cardeal Eugenio Pacelli). No dia da abertura, 150 estudiosos pediram para ver a papelada. E por que tanta curiosidade? Por única razão: Pio XII é acusado até hoje de ter colaborado com o nazismo.

Se não colaborou, no mínimo foi omisso. Segundo o grande pregador padre Antonio Vieira, o pecado de omissão é maior que o pecado de ação. Há quem justifique as atitudes do papa na época, alegando que ele estava acuado por Mussolini na Itália, e por Hitler no resto da Europa. Pio XII tratou de proteger o Vaticano, que ainda é o menor Estado do mundo, e o patrimônio da Igreja Católica, que não é pequeno.

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Os acusadores afirmam que Pio XII tinha conhecimento da matença que Hitler promovia nos campos de concentração. Que ele sabia do ódio dos nazistas aos judeus. Isso durante a guerra, que durou de 1939 a 1945. A caça aos judeus e as matanças haviam começado em 1933.

Há outras suspeitas, nada fracas – a ajuda que a Igreja Católica (entenda-se Vaticano) prestou ajuda a criminosos nazistas em fuga após a guerra. O FBI rastreou – e documentou – que muitos desses criminosos contaram com passaportes falsificados, com ajuda da Igreja e alguns – fantasiados de padres – para chegar à América do Sul, principalmente à Argentina.

Talvez esses arquivos, guardados a sete chaves durante 62 anos, não tragam muita novidade. Talvez confirmem suspeitas. Talvez exponham parte da podridão que sempre existiu no Vaticano. São uma incógnita por ora. Mas o fato de se tornarem públicos despertou a curiosidade do mundo.

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Há milhões de pessoas interessadas em saber o porquê do silêncio do papa Pio XII sobre o Holocausto, onde morreram seis milhões de judeus. Há russos interessados nos arquivos devido à matança que os alemães nazistas promoveram na Rússia. Há poloneses interessados no seu conteúdo. E há, principalmente, judeus querendo saber qual foi o papel de Pio XII na época.

O interessante é que toda vez que o atual papa, Francisco, mexe em alguma ferida, a gritaria é geral. Sempre há cardeais contrários em expor tais feridas. Quando a Igreja assumiu que tinha padres pedófilos, foi assim. Seriam segredos a serem guardados ad eternum. Quando apareceu o escândalo do Banco do Vaticano – a associação de padres e cardeais a organizações criminosas, incluindo a Máfia – foi a mesma coisa. Alegou-se na época, que o escândalo prejudicaria a credibilidade do mercado financeiro.

Pedofilia e escândalo financeiro são café pequeno perto do que aconteceu durante o papado de Pio XII. Quando se tornou papa, Pio XII (e a Europa toda) já sabia que Hitler havia anexado a Áustria e a Tchecoslováquia ao 3º Reich. Todos sabiam da perseguição aos judeus. E todos tinham certeza que as ambições de Hitler não paravam por aí. Em março de 1939 Pio XII se tornou papa. Em setembro Hitler invadiu a Polônia. Nenhuma palavra sobre essas barbaridades.

E pensar que nos dias de hoje há um papa se intrometendo em questões somenos, como a Amazônia; que há padres e cardeais opinando sobre questiúnculas… Dá até nojo saber que houveum papa que não se importou com milhões de mortes e a devastação que um maluco causou no mundo inteiro. Como todos os pecados terrenos, tudo é uma questão de conveniência.

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