Abram os olhos, especialmente você que mora no Ocidente e vive uma relação estável. Entre todas as projeções nada animadoras, um dado chega para trazer ainda mais preocupação. Segundo o jornal chinês The Global Times, Xi’am, capital da província de Shaanxi, região central da China, com 12 milhões de habitantes, registrou um recorde no número de pedidos de divórcio nas últimas semanas.
Há quem diga que essa corrida aos cartórios é reflexo da quarentena forçada deixando consequências inesperadas.
Em alguns distritos, todos os horários disponíveis para tratar do tema nos escritórios locais do governo estão tomados por semanas.
A vontade de voltar a vida solo é tamanha que sites de notícias relatam haver uma procura acima da média em cartórios de municípios de outras províncias, como Sichuan, por formulários de divórcio.
“É muito tempo junto. Eu tenho visto cada vez mais histórias sobre separações. Mas o problema parece sério”, disse Ge, uma professora de 29 anos. Ela própria não é casada, mas imagina o estresse de estar sob o mesmo teto neste momento de muita preocupação e dúvidas sobre o futuro.
“Grandes episódios como este fazem as pessoas pensar mais nas suas vidas e o que realmente interessa”, afirmou a escritora Lijia Zhang, autora de A garota da Fábrica de Mísseis: memórias de uma operária na nova China . “É verdade também que os casamentos que sobreviveram à quarentena devem seguir mais fortes”, complementa.
É cedo para entender o que está acontecendo — e se o fenômeno se observará nacionalmente e mesmo em outros países que adotaram medidas de confinamento. Além disso, os cartórios estiveram fechados durante aproximadamente um mês, o que cria uma demanda reprimida. Além disso, os chineses já vinham se divorciando em um ritmo mais acelerado nos últimos anos.
Em 2016, o número de casais que se separou na China chegou a 4,2 milhões, um aumento expressivo em relação a 1985, quando a taxa não passava de 485 mil.
Neste contexto, as separações provocadas pelo coronavírus certamente não ajudam o governo, que acabou, em 2016, com a longeva política do filho único, adotada na década de 1970. Pequim agora quer mais é que os chineses tenham mais filhos. O problema é que os jovens, e sobretudo mulheres, acham caro aumentar a família e estão mais preocupados em investir em suas carreiras profissionais.
Dados da Comissão Nacional de Saúde da China indicam que o país terá 487 milhões de idosos em 2050, cerca de 35% da população total. Em 2018, a taxa estava em 17,3%, ou 242 milhões de pessoas.





