Aqui mora o povinho

Dizem que quem nasce no Brasil é brasileiro. Pode até ser, mas deveria mudar. Deveria ser povinho. Na acepção mais escabrosa do termo. Povinho mesmo. Formado por um bando de espertalhões, que se aproveita de qualquer motivo para aumentar o lucro. Na semana passada, tinha gente vendendo pimentão a R$ 20 o quilo. Tinha gente vendendo botijão de gás a R$ 120.

Tudo por conta do vírus. Mas ele é só uma desculpa dentre as muitas que os espertalhões arrumam para aumentar seu caixa. Uma hora é a seca, outra hora é a chuva, e noutra, o frio. Ou o sol. E isso começa lá em cima, em Brasília, onde estão os ladrões maiores; se estende pelos estados e chega às cidades.

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Essa crise de saúde está sendo tratada de outra maneira em países civilizados. Países onde não nasce o povinho. A distribuição de máscaras e álcool em gel é de graça. Aqui, na farmácia de um supermercado de origem francesa, um frasco de álcool gel está custando R$ 4,45. Isso quer dizer que um litro está custando R$ 75.

Dizem que há fiscalização contra o abuso. Dizem. Ninguém acredita. Talvez os olhos dos nossos fiscais não sejam tão aguçados como os nossos. Só nós encontramos preços absurdos. Só nós sabemos onde vendem álcool a R$ 75 o litro. Fiscais, ao que parece, estão em outro mundo. O mundo da estabilidade no emprego, do pagamento no dia certo, das vantagens conseguidas em anos de carreira.

Povinho é assim mesmo. Cada um olhando seu próprio umbigo. Quem está ao redor que se vire. O importante é encher o bolso. Mas encher o bolso nem sempre é vantagem. Há inúmeros casos verídicos e incontestáveis que provam a desvantagem. Teve gente que encheu o bolso à custa de crises e desgraça alheia. No fim da vida, acabou deixando todo o dinheiro para o hospital.

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Teve gente que ficou milionária aproveitando as tais oportunidades. Um dos espertalhões virou assunto de página social. Até descobrir que sua mulher usava a mesada para sustentar um amante. Teve gente que teve seu sonho de vida desfeito no dia em que seria realizado. Assim é o mundo. Assim é a lei do retorno. Uma lei que o povinho não entende.

Os que sobreviverem a tudo isso serão testemunhas, daqui a alguns anos, que novos vírus passarão, que novas doenças aparecerão, que novas crises irão brotar em todo o mundo. E verão que os espertalhões que morreram deixaram descendentes e discípulos. Verão também funerais esvaziados por conta das inimizades.

Antes dizia-se que o castigo vem a cavalo. Hoje vem de avião a jato. Assim é a vida, embora muitos tentem mudá-la. Nada resiste à mentalidade de povinho. De escória. De falta de caráter. De egoísmo. Que morram todos.

ANSELMO BROMBAL
Jornalista

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