Eis que de repente…

É como um conto de Nárnia. Nem animais falantes faltam – basta ouvir alguns políticos. Todos são amáveis, sempre prontos a fazer o bem. Ou é marketing (deplorável) ou é remorso, dor na consciência. Não faltam oportunistas – os mesmos espertalhões de sempre. Há quem acredite em tanta bondade, tanta camaradagem. Embora às vezes isso seja induzido pela mídia.

De repente as empresas ficaram caridosas. As mesmas empresas que sempre exploraram seus funcionários, aviltando salários e traçando metas impraticáveis, agora fazem doações. Algumas paralisam suas linhas de produção originais para fabricar álcool em gel, que será doado. Será? Doado ou vendido? Álcool em gel está parecendo ouro.

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Outras doam equipamentos a clínicas e hospitais. Mas fazem questão de divulgar, de alardear tais doações. O que importa agora é a imagem de boazinha, de caridosa. No fundo, acredita-se que não seja marketing nem remorso – é questão de sobrevivência.

O que seria uma fábrica sem funcionários? Nada. Pode ter robôs, equipamentos de última geração. Mas precisa do funcionário para operar tudo isso, para apertar os botões certos, para ligar e desligar. E se o funcionário adoecer, prejuízo. Se morrer, até treinar outro…

O que seria do comércio sem funcionários e sem clientes. Melhor que eles sobrevivam, que superem a pandemia e voltem a trabalhar e a comprar. Talvez valha a pena o investimento em doações. Vamos salvar funcionários e consumidores. E de quebra, aproveitamos para vender uma imagem falsa, que não é nossa. É oportunismo. Bem diferente de oportunidade.

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Há histórias – nem sempre reais – que mostram pessoas que aproveitaram oportunidades. Tem a do sujeito que foi morar num país onde todos andavam descalços. E ele resolveu fabricar calçados. Grandes inventores criaram produtos ou por acaso ou por necessidade. Thomas Edson, por exemplo, tem o maior número de patentes nos Estados Unidos. Mas todas as suas invenções tinham um objetivo. Vender, lucrar, ganhar bastante. Mas não deixavam de ser oportunidades.

Um exemplo típico de que é melhor salvar os funcionários e consumidores vem de Henry Ford. Quando começou produzir seu modelo T, vendeu-o barato e facilitou a compra do mesmo aos seus mecânicos e montadores. Como ficou fácil, todos compraram. E num instante os carros de Ford inundaram os Estados Unidos, projetando a marca e fazendo o público acreditar que seu carro era o melhor de todos. Afinal, se tanta gente estava comprando, é porque é bom. Ford transformou seus funcionários em consumidores. Salvou ambos. E, principalmente, enriqueceu.

Hoje há muita gente oferecendo os mais variados produtos para combater a pandemia. Produtos que vão de máscaras a luvas. Até álcool em gel perfumado existe. Mas é mais caro. Só para os mais exigentes. Isso é oportunismo.

É aproveitar um momento de desgraça coletiva para lucrar. É como abutres, sempre à procura de carniça. Não se sabe onde isso vai parar. Mas a velha prudência, tão necessária nos dias de hoje, recomenda: desconfie de muita bondade. Se ler a Bíblia, verá o alerta messiânico para os lobos vestidos de cordeiros. Nada diferente do momento atual. Se não leu e acredita, leia.

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