O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou nesta terça-feira (28), a abertura de um inquérito contra o presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi feito pela Procuradoria-Geral da República após declarações dadas na sexta-feira (24) pelo agora ex-ministro da Justiça Sergio Moro, ao se demitir do cargo.
Moro acusou Bolsonaro de interferir politicamente na Polícia Federal (PF) e tentar ter acesso a investigações sigilosas. Ele ainda afirmou que não autorizou o uso de sua assinatura eletrônica que aparece no decreto de exoneração do ex-diretor-geral da PF, Maurício Valeixo. O presidente, contudo, nega as acusações.
O objetivo do inquérito é apurar se foram cometidos pelo presidente os crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de justiça, corrupção passiva privilegiada, denunciação caluniosa e crime contra a honra. Segundo determinação do STF, a investigação deve ser conduzida nos próximos 60 dias.
No despacho, Celso de Mello determina que Moro seja ouvido pela polícia federal no inquérito, atendendo a um pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras.
Além disso, o magistrado lembrou que um presidente da República só pode ser investigado por crimes supostamente cometidos durante e em função do mandato, o que, segundo ele, ocorre neste caso.
Na noite de sexta-feira, para comprovar suas acusações contra Bolsonaro, Moro apresentou ao Jornal Nacional trocas de mensagens via Whatsapp com o presidente e com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP).





