Talvez mereçamos mesmo morrer

Sim, vamos voltar ao assunto coronavírus. Desde que os governos federal, estadual e municipal decretaram uma série de medidas para combater a pandemia, muita gente não está levando as recomendações a sério. Recomendações baseadas em pareceres médicos. E não de médicos despreparados. Recomendações de médicos do Ministério da Saúde, que foram baseadas em recomendações da Organização Mundial da Saúde. Uma das medidas é evitar aglomeração.

Para isso, muitos shows foram cancelados. Baladas adiadas, festas ídem. E os supermercados, inevitáveis, adotaram as mesmas recomendações. Colocaram avisos pedindo que viesse apenas uma pessoa de cada família, que não se levasse idosos ou crianças às compras.

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Pois bem. Na contramão de tudo isso, o que se viu na semana passada foi o apogeu do absurdo. Famílias inteiras passeando em supermercados, com idosos e crianças, aproveitando a semana do pagamento. E sem qualquer cuidado. Filas nos açougues e nos caixas, que agora têm faixas vermelhas indicando a distância mínima de um cliente ao outro. Supermercado, há algum tempo, se tornou programa. Não tem onde passear? Vai dar uma volta no supermercado.

As justificativas eram as mais absurdas, como: Vovô estava chateado de ficar em casa, então resolvemos trazê-lo para dar uma voltinha; as crianças estão impossíveis, então viemos com ela ao supermercado para se distrairem um pouco; não aguento mais ficar em casa e venho ao supermercado para arejar a cabeça. Justificativas que dariam arrepio na OMS.

Alguns países, por terem sido mais afetados pelo vírus, adotaram medidas mais rígidas, como a proibição de pessoas irem às ruas. Em alguns, homem não pode sair no memo horário de mulher. Mas nem precisava tanto. Nesses países, as coisas são mais sérias. O povo é mais esclarecido e sabe que com doença assim não se brinca.

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Aqui é bem diferente. O médico mais conhecido do Brasil se chama Doutor Google. Amigo de verdade é o farmacêutico que vende qualquer remédio sem receita médica. E coronavírus é para os fracos, porque, explica-se, temos uma saúde de ferro. Mas esquecem que o ferro também pode ser corroído e desfeito.

Talvez daqui a alguns dias, muitos do que foram passear no supermercado na semana passada estejam em postos de saúde se queixando dos sintomas típicos da doença. Bradarão críticas ao governo, reclamarão da demora nos testes e nomearão os culpados. Se houver mortes, as famílias irão reclamar do pouco tempo de velório.

Sempre foi e sempre será assim. Só porquê somos um povo ignorante, semianalfabeto, jocoso e irresponsável. Sabemos reclamar. E muito. Mas nunca sugerimos soluções. Nunca colaboramos quando preciso. Cada um cuidando de seu próprio umbigo. O médico falou? O médico não sabe nada. O ministro recomendou ficar em casa? Ele fala isso porque tem mordomia, empregados e uma casa confortável. O vírus chegou? Vai ver é jogada política. Que morramos todos.

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1 COMENTÁRIO

  1. Muito boa a reportagem, porém, como todas, há falhas por ignorar certas situações de certas pessoas.
    Vou falar por mim: sou idoso e minha esposa também e não temos ninguém mais jovem com que possamos contar para ir às compras no supermercado, nós mesmos se quisermos nos alimentar é que temos que vestir nossas máscaras, termos sempre em mãos o álcool em gel e nos deslocarmos com o carro para um supermercado e realizamos as compras de produtos necessários para o nosso lar e nossa subsistência.
    Portanto, ao generalizar a falta de educação de um povo todo essa reportagem falha, pois somos sim educados, mas não estamos a fim de morrer nem pelo vírus, bem pela fome e nem pela esquerda que está dominando todo cenário, promovendo o terror, o pânico, a histeria, e tudo isso somente para um objetivo, o de voltar ao poder para ter novamente nas mãos as chaves dos cofres públicos. Nunca foi por saúde. Nunca!

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