A Capital, aos poucos, está se livrando de seus problemas. Ou melhor, transferindo seus problemas. A cracolândia, na região central de São Paulo, está menor. Sucesso da política do governador ou do prefeito de lá? Não. Apenas uma consequência esperada. Com o arrocho na cracolândia, marginais de todos os tipos se obrigaram a se afastar. E o meio de locomoção mais barato ainda é o trem da CPTM. E assim, com passagens compradas ou conseguidas em algum fundo social, esses marginais desembarcam no fim da linha – Jundiaí.
Essa situação é facilmente constatada nas regiões da Ponte de São João e no Centro, ambas densamente povoadas por nóias, os viciados em crack e pequenos ladrões. Ladrões de oportunidade, não profissionais. Mas incomodam, e muito. Na Ponte, moradores se desesperam com as surpresas. E no Centro, o Bom Prato é uma espécie de ímã para todos os trastes da cidade.
Que há pessoas carentes na fila do Bom Prato, não há dúvida. E como o restaurante agora serve somente marmita, há um espetáculo degradante todos os dias. Marginais – sim marginais mesmo – se aboletam nas calçadas da vizinhança para comer sua marmita e deixam toda a sujeira por lá. Os mais atrevidos intimidam quem passa pelas calçadas. Querem dinheiro, e não se contentam com moedas. E fica tudo por isso.
Não contentes, muitos fazem suas necessidades nos muros e calçadas. Na Praça Domingos Anastasio (Largo São José), há frequentadores fiéis. Uma mulher, que passa o dia pedindo dinheiro, costuma urinar sem qualquer constrangimento na calçada, em qualquer hora.
Para piorar a situação, algumas pessoas, talvez bem intencionadas, talvez com remosos de consciência, montam nesses lugares os tais Varais de Solidariedade. Bem longe de suas casas, perto das casas e das lojas dos outros.
Assistência social é necessária, mas para quem precisa. Sustentar essa vagabundagem só aumenta os problemas. Acomoda-os às doações, à caridade. E pessoas que querem distribuir sopão, roupa, pão – seja lá o que for – que o façam em frente as suas casas, e não em frente às dos outros. E se alguém estiver com dó desse marginais, que os adote e leve para casa.
ANSELMO BROMBAL
Jornalista





