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domingo, 30 agosto, 2026

Brasileiro receberá medalha olímpica com 20 anos de atraso

Na noite de 30 de setembro, ele se acomodou entre atletas e treinadores e encarou a pista do estádio. Cláudio Roberto Sousa, então com 27 anos, não estava escalado para correr naquela noite, mas observava e assimilava tudo da arquibancada. Como reserva do time nacional, havia disputado a eliminatória da prova no dia anterior.

Pontualmente às 20h05, o árbitro deu a partida. O Brasil, com tempo de 37s90, era medalha de prata nas Olimpíadas de Sydney, atrás dos Estados Unidos (37s61) e à frente de Cuba (38s04). O Brasil de Vicente, de Edson, de André, de Claudinei. E de Cláudio.

Após vinte anos de espera, Cláudio Roberto de Sousa enfim receberá ...

Mesmo sendo reserva e tendo corrido apenas a eliminatória da prova, Cláudio teria direito à medalha. Só não foi ao pódio naquele momento porque o protocolo restringe a cerimônia aos quatro atletas que correm a final. Naquela noite a Cláudio foi dada a promessa de que sua medalha seria entregue mais tarde.

O velocista chegou ao país, participou de festejos em carro aberto e solenidades, ganhou reconhecimento. Foi incluído em um programa da Caixa Econômica Federal, empresa que patrocina o atletismo brasileiro, chamado Heróis Olímpicos. Seu nome passou a constar da relação de medalhistas nos sites oficiais do COI (Comitê Olímpico Internacional) e do COB (Comitê Olímpico do Brasil). A medalha, porém, jamais foi entregue.

No Pan de 2003, já quase três anos depois das Olimpíadas de Sydney, um dirigente do COB entregou a Cláudio um pin (broche), destinado aos medalhistas olímpicos. Disse que era uma maneira de o COI reparar a injustiça. Ele aceitou o prêmio com resignação.

A reviravolta veio no final de 2019. O vice-presidente do COB, Marco Antônio La Porta, soube da história ao se encontrar com Cláudio em um evento em Teresina – para onde o ex-velocista se mudou em 2018. Levou o tema ao diretor de esporte do comitê olímpico, Jorge Bichara, que, egresso do atletismo, achou que era hora de ressuscitar a história.

Até que em 6 de maio deste ano, ou 7.158 dias depois de o ex-velocista brasileiro adquirir o direito de colocar no peito uma medalha olímpica de prata, o COI comunicou o COB de que encaminhará a honraria até o fim do verão europeu – entre agosto e setembro. Também enviará um novo pin e um diploma de medalhista olímpico.

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