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domingo, 30 agosto, 2026

Medidas antigas contra epidemias estão sendo repetidas

Combater a propagação de uma epidemia nunca foi fácil. Se for analisado o que acontece nos dias atuais, não é difícil imaginar o esforço feito em outras épocas. Segundo a arqueóloga portuguesa Joana Freitas, se analisarmos como combatiam o alastramento das doenças em séculos passados podemos ficar surpreendidos com as semelhanças.

“Ao analisarmos dados e documentos que se referem a outros surtos epidêmicos ao longo da história verificamos que algumas medidas que tomamos hoje eram as usadas à data para reprimir o avanço das doenças. Em diversas alturas o isolamento, a quarentena e o estabelecimento de cordões sanitários foram uso recorrente.”

Estas medidas eram aplicadas e replicadas em muitos países do mundo. A realidade que vivemos hoje em dia não é novidade. “Havia cuidados, as pessoas tinham consciência de que se não travassem um surto no seu início seria muito difícil não evitar uma catástrofe. Temos variados exemplos. Em Portugal,por exemplo, no século 15 existia controlo sanitário das embarcações. Embora incipiente, demonstrava a clara noção dos pontos que podiam ser rastilhos de uma epidemia. Mais tarde, os barcos teriam mesmo de ficar em quarentena para que houvesse certeza que tanto marinheiros como mercadorias não seriam um veículo de transporte para convidados indesejados.”, explica Joana.

Ainda segundo a arqueóloga, “as próprias linhas limítrofes das cidades, uma muralha ou estrutura semelhante funcionavam como cerco sanitário. Há inclusive documentos que atestam que em algumas cidades era exigido que se apresentasse declaração da sua boa saúde, garantindo que não estivera em nenhum lugar exposto a alguma doença nos 30 dias anteriores antes de ser autorizado a entrar”.

Ainda segundo a arqueóloga, “no combate a outras pestes, verifica-se o esforço de deixar circular apenas quem era indispensável. Trabalhadores agrícolas, forças de segurança como exército ou marinha, padres e madres que muitas vezes auxiliavam nas práticas da medicina, padeiros e vendedores de alimentos. Como vemos embora com séculos de diferença a realidade é bastante semelhante”, conclui.

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