No domingo (2) foi dia do mico-leão-dourado, a espécie endêmica do Rio de Janeiro e que está ameaçada de extinção. Pensando nisso, a data foi comemorada com a inauguração do primeiro viaduto vegetado do Brasil, com o intuito de preservar a espécie e conservar a biodiversidade do país.
A obra custou aproximadamente R$ 9 milhões, e começou ainda em 2019, no km 218 da BR-101, em Silva Jardim, interior do Rio de Janeiro.
O viaduto recebeu o plantio de mudas nativas da Mata Atlântica. Toda a estrutura, que inclui uma cerca de condução de fauna, já está pronta para cumprir um importante papel: conectar a Reserva Biológica Poço das Antas, um dos principais habitats do Mico-Leão-Dourado, à Área de Proteção Ambiental Rio São João/Mico-Leão-Dourado.
Dentro de alguns anos, a vegetação vai crescer e a travessia dos animais será ainda mais segura, permitindo o encontro deles com outros membros da espécie, separados em diferentes partes da Mata Atlântica. Isso será essencial para que a espécie ameaçada possa se reproduzir.
O trecho onde o viaduto foi construído foi escolhido depois de um mapeamento para identificar os locais com maior número de atropelamento de animais.
O secretário executivo da Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD), Luís Paulo Ferraz, ressalta que as florestas de baixada do interior do estado do Rio de Janeiro são a única área do mundo onde vivem os micos-leões-dourados.
“As matas da região são muito fragmentadas e a duplicação da rodovia forma uma barreira impedindo a circulação dos animais e isolando populações. Os micos utilizam as árvores para mover, eles precisam se sentir protegidos de predadores. Se tudo der certo no plantio realizado, acreditamos que de dois a três anos já teremos um bosque que possibilite o uso. Mas o projeto é de longo prazo e o importante é que nas próximas décadas essa movimentação dos animais seja feita com mais segurança e permita o equilíbrio ecológico na reserva”, explicou Luís Paulo.
Segundo o secretário, ainda está prevista a construção de um outro viaduto do tipo.
“Este problema com as infraestruturas que cortam a paisagem de conservação dos micos foi bem encaminhado e esperamos excelentes resultados. Outras passagens mais leves também foram construídas como túneis para a fauna terrestre e passagens copa a copa (como uma passarela de pedestres) que permitem os animais cruzarem a rodovia”, afirma.





