Tema bastante discutido no Brasil, as meias-entradas no cinemas brasileiros podem estar com seus dias contados, pois o Ministério da Economia quer acabar com a colher de chá.
Quase 80% de todos os ingressos de cinema vendidos no Brasil no ano passado tiveram preço de meia-entrada. A participação do ingresso na categoria inteira nas receitas das redes cai há três anos, segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
A partir desses dados, o órgão regulador abriu uma consulta pública para discutir a obrigatoriedade legal da meia-entrada e seus impactos no mercado exibidor. Diante disso, o Ministério da Economia já se manifestou e quer extinguir as regras que garantem o benefício.
Com base nas informações fornecidas pelas redes de cinema no Brasil, a Ancine verificou que a venda de ingressos inteiros, que era cerca de 30% em 2017, caiu para 21,6% no ano passado. Quase 60% das meias-entradas concedidas em 2019 estavam ligadas às diversas leis que existem no Brasil.
Atualmente estão garantidas as meias-entradas para estudantes, jovens de baixa renda, pessoas com deficiência e adultos com mais de 60 anos. A Ancine estima que aproximadamente 96,6 milhões de pessoas se enquadrem nos termos – quase metade da população (211 milhões segundo o IBGE).
Para o ex-secretário de Política Econômica e presidente do Insper, Marcos Lisboa, a meia-entrada nos cinemas é uma distorção que se repete em diversos setores, como no crédito, que é subsidiado para alguns setores, e no transporte público, que é gratuito para alguns grupos. Na avaliação dele, em todos os casos, se o Estado quer beneficiar algum grupo, deve pagar pelo subsídio com recursos do orçamento.
Ele afirma que há outras formas de usar o dinheiro público ao invés de custear entradas de cinema.
“O Brasil tem há muitos anos essa prática de criar distorções, em que se oferece um preço diferente para um certo grupo, e o que acontece é que o custo tem que ser coberto e preço cheio acaba ficando muito maior. Se todo mundo paga meia, a meia vira a entrada cheia”, diz Lisboa. “Isso expulsa quem paga o preço cheio do mercado, e aí o preço tem que subir mais ainda. É um ciclo vicioso”, conclui.
A meia-entrada é garantida por um subsídio cruzado – ou seja, quem compra a inteira paga a mais para permitir o desconto daqueles com direito a meia. Nenhuma das leis da meia-entrada estabelece repasse de recursos do orçamento da União, Estados ou municípios.





