O amargo do açúcar branco

Você pode ter dez vícios. Tem gente que tem mais, mas isso não se discute na TV. Sabe o que é ‘sugar blues’? Eu fiquei sabendo em 1980 e, de lá pra cá, venho espalhando estas mal traçadas linhas. No livro Sugar Blues, o autor William Dufty faz revelações surpreendentes sobre esta droga. Afirma que o açúcar branco refinado é destrutivo, vicia tanto quanto o álcool, heroína, morfina e outras inas. É consumido em quase todos os produtos civilizados. Dizem que tem açúcar nos aparelhos eletrônicos (que atraem baratas e formigas), nos cosméticos, nos produtos de limpeza etc. “Está no pão, cigarro, creme dental, remédio, em todas as conservas… Se você tem enxaqueca, angústia, insônia, cáries, inchaço, a síndrome de Sugar Blues se apossou de sua vida”, escreveu Dufty. “Mas a vida já é amarga; sem açúcar então…”, dizem por ai. Mas você não sabe de onde vem o seu açúcar, por que é branco, por que é barato, por que todo mundo gosta? Mas sabe que tem gente que adoece ao ingeri-lo.

Dufty, jornalista e produtor cultural, resolveu investigar o açúcar branco e refinado. Descobriu que tribos foram mortas, populações enfraquecidas, seres humanos escravizados com açúcar nos últimos quinhentos anos! Que não se pode falar isso por aí; que a indústria do vício do açúcar refinado é poderosa; está espalhada pelo mundo (capitalista ou socialista etc.) em quase tudo e que as crianças já nascem gostando do açúcar que as mães, sem saber, lhes enfiam cordão umbilical abaixo. Em suas pesquisas, descobriu que escravos eram trocados por açúcar nas costas da África; que chefes, reis e piratas trocavam pessoas por açúcar; que índios – antes saudáveis e soberanos – sucumbiam doentes e dóceis adoçados com açúcar. Dufty descobriu isso nos rebeldes anos dourados (60 e 70) quando o rock embalava tanto quanto o ‘blues’. O cinema era tudo e tudo era adoçado com açúcar.

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No entanto, viu que alguns grupos étnicos (minorias) ainda resistiam ao pó branco e doce. Viajou pelo mundo desmascarando o açúcar. As indústrias  jogaram pesado no cinema, na música, na TV, tanto que a cultura ocidental ignora o que é amargo e supervaloriza o que é doce. Hoje somos todos pré-diabéticos. “Começo de diabetes” corresponde ao termo médico pré-diabetes utilizado desde 2002. “Com açúcar e com afeto, fiz seu doce predileto…”, cantava por aqui um tal de Chico. Com a mais dissimulada droga que dissolve os dentes e os ossos de toda uma civilização, nossas tribos urbanas esqueceram o que é mel, frutose ou melado. Poucas sabem o que é a doce planta Stevia ou a rapadura brasileiras. Mas na bula do açúcar branco está a composição: 98% sacarose mais soda cáustica e ácidos q.s.p.

Sobre Dufty: Nasceu em 1916 no Michigan, EUA, e faleceu em 2002. Cursou a Universidade de Wayne e trabalhou como colunista e produtor de rádio. Carismático, escreveu para vários jornais, entre eles o New York Post. Em 1950, trabalhou com sua grande amiga e famosa cantora de Jazz, Billie Holliday, com quem criou a conhecida biografia “Lady Sings the Blues”. Inspirado no livro Macrobiótica Zen de George Ohsawa, trocou o açúcar, a carne e os alimentos processados por grãos integrais e vegetais. Casou-se com Gloria Swanson, diva hollywoodiana da década de 20 e grande ativista da saúde. Juntos empreenderam cruzada contra os males do açúcar. Em 1975, publicou Sugar Blues, um best seller, onde citou o historiador inglês Noel Deerr: “Não seria exagero afirmar que o tráfico escravo atingiu a cifra de 20 milhões de africanos, dois terços dos quais sob a responsabilidade do açúcar.” Sugar Blues esmiúça séculos de história secreta, folclores esquecidos, sábias tradições dos antigos e conceitos científicos inconsistentes, para trazer à tona a verdade sobre a mais dissimulada droga que dissolve os dentes e os ossos de toda uma civilização – a sacarose refinada, comumente chamada açúcar. Pesquisas desenvolvidas nos grandes centros científicos evidenciam consideráveis vínculos entre o açúcar refinado e as mais alarmantes doenças modernas, da depressão ao derrame cerebral. Entretanto, esta droga formadora de hábito, é consumida, a cada dia, em praticamente todos os produtos utilizados na dieta do homem civilizado, do pão ao cigarro.”

Galdino Mesquita

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