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segunda-feira, 6 julho, 2026

Meu nome era Bond. James Bond

O cinema perdeu um de seus atores mais talentosos, do impagável agente 007 ao pai de Indiana Jones

Vieram outros, mas ninguém foi tão sarcástico quando Sean Connery no papel do agente James Bond, o 007, criado por Ian Fleming nos tempos da Guerra Fria, quando russos e americanos disputavam quem tinha os melhores e mais eficientes espiões. Sean imortalizou sua apresentação: Meu nome é Bond. James Bond. Em sua vida nas telas, uma licença para matar, carros velozes e cheios de truques e uma mulherada de fazer tentação a franciscanos.

Mas nem tudo foram flores na vida de Sean Connery. Nasceu Thomas Sean Caonnery em 1930, e foi criado num cômodo com banheiro dividido com mais gente e sem água quente. Aos 13 anos deixou a escola e foi trabalhar, entregando pães, assentando tijolos como pedreiro até entrar para a Marinha Britânica, onde ficou três anos. Lembranças da época foram duas tatuagens nos braços: Escócia para sempre e Mamãe e Papai. Dirigiu caminhões, trabalhou também como salva-vidas e até posou como model para uma escola de arte.

Forte, briguento e musculoso, ganhou convite para jogar futebol. Mas viu que a carreira de jogador era curta demais e resolveu tentar a sorte nos palcos. Em 1953, disputou em Londres o concurso de Mister Universo. Então conheceu o ator americano Robert Henderson, que o convenceu a estudar e até lhe emprestou alguns livros. A partir daí conseguiu pequenos papéis na TV e no cinema.

Em 1957 conseguiu o papel principal numa série da BBC. No ano seguinte fez par com Lana Turner em Vítima de uma Paixão, o que despertou o ciúme do marido de Lana, o mafioso Johnny Stompanato. Até que chegou sua chance de verdade, quando os produtores Cubby Broccoli e Harry Saltzman compraram os direitos dos romances de Ian Fleming.

Alguns atores foram levados em conta, como Richard Burton, Cary Grant e Rex Harrison, mas o papel de 007 ficou com Sean Connery, apesar da resistência inicial de Fleming. A mulher de um dos produtores convenceu o marido que Connery tinha magnetismo suficiente para fazer o papel. Um amigo diretor, Terence Young, colocou Connery sob sua proteção, levando-o a restaurantes e cassinos caros, ensinando-o a se comportar, para que o escocês se passasse por um agente secreto suave e sofisticado.

Seu primeiro filme como 007 foi Dr. No, com cenas de ação, sexo e boas locações. Até no exterior fez sucesso. Vieram outros, como Moscou contra 007, 007 contra Goldfinger, 007 contra a Chantagem Atômica e Com 007 só se vive duas vezes. Aí ele cansou de ser James Bond, e não queria ficar marcado como ator de um só personagem. Só voltou anos depois para gravar Os Diamantes são Eternos.

Gravou O Nome da Rosa, e com Os Intocáveis, ganhou seu Oscar como melhor ator coadjuvante. Em Indiana JOnes e a Última Cruzada, interpretou o pai de Harrison Ford. Fez outro sucesso de bilheteria com A Caçada ao Outubro Vermelho. E recusou o papel de Gandalf em O Senhor dos Anéis, em 2006, declarando-se cansado de atuar e farto dos “idiotas que agora fazem filmes em Hollywood”.

Em 2000, Connery ganhou o título de Cavaleiro, mas a entrega foi barrada porque ele defendia abertamente a independência da Escócia. Terminou seus dias numa vila da Grêcia, onde dividia o heliporto com o rei da Holanda.

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