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segunda-feira, 6 julho, 2026

Rihanna e Beyoncé cantam. A Igreja ganha dinheiro

Nada anormal – a Igreja da Inglaterra é acionista da empresa Hipgnosis, e com isso leva parte dos lucros dos direitos sobre músicas das cantoras

Para entender: a empresa Hipgnosis, com sede na Inglaterra, tem centenas de investidores. Há três anos a empresa passou a comprar os direitos de milhares de sucessos no mundo todo. Até agora, investiu mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões) em músicas de artistas como Mark Ronson, Chic, Barry Manilow e Blondie. Sua última compra é o catálogo do LA Reid, empresa que tinha direitos sobre músicas como End Of The Road (Boyz II), I’m Your Baby Tonight (Whitney Houston) e Don’t Be Cruel (Bobby Brown).

E quando tais músicas são tocadas em rádios, aparecem em filmes ou musicais de TV, a Hipgnosis ganha, e com ela seus investidores – incluindo a Igreja da Inglaterra. Segundo o fundador da Hipgnosis, Merck Mercuriadis, a música que vem comprando é mais valiosa do que ouro ou petróleo. “Essas músicas excelentes e de sucesso são muito previsíveis e confiáveis ​​como fontes de renda, explica ele. Se você pegar uma música como Sweet Dreams (Eurythmics) ou Livin’ On A Prayer (Bon Jovi), estamos falando sobre três ou quatro décadas de renda segura”.

Merck diz que música não depende dos humores do mercado, nem de crises ou euforia. “Quando as pessoas estão felizes, elas vivem com uma trilha sonora de canções, explica ele. Mas também em tempos menos bons, como com os tipos de desafios que experimentamos nos últimos seis meses devido à pandemia, as músicas são reconfortantes e ajudam a aliviar. Então música é sempre consumida e sempre gera renda”.

Merck é canadense, natural de Quebec, e começou sua carreira na Virgin Records, em Toronto, de uma forma nada usual – todos os dias, durante meses, ligava pava para a Virgin, até ser contratado pelo departamento de marketing. Lá, trabalhou com artistas como UB40, The Human League e XTC.

Em 1986, ele se juntou ao Sanctuary Group, eventualmente se tornando seu CEO, onde liderou as carreiras de Elton John, Iron Maiden, Guns N ‘Roses, Destiny’s Child e Beyoncé, além de trabalhar no relançamento da carreira de Morrissey em 2004. Kanye West recentemente o chamou de uma das pessoas mais poderosas e conhecedoras da indústria musical.

A ideia da Hipgnosis surgiu em 2009, quando o Spotify foi lançado na Inglaterra. “Eu percebi que o streaming mudaria o cenário e tornaria a indústria da música muito bem-sucedida novamente”, diz ele. Ele lembra que a tradicional marca que mede o sucesso do setor é o disco de platina, que nos Estados Unidos representa um milhão de vendas. “Parece impressionante, diz ele, até você perceber que um filme de sucesso como Toy Story 4 vendeu 43 milhões de ingressos”.

Ao contrário da maioria das gravadoras, a Hipgnosis não está focada em encontrar o “próximo best-seller”. Um terço das músicas que possui tem mais de 10 anos e 59% têm entre 3 e 10 anos. Menos de 10% são versões recentes. “A única coisa que todas as minhas músicas têm em comum é que são culturalmente importantes”, diz Merck.

Ele paga aos artistas 15 anos de direitos antecipadamente. Dada a redução de impostos, muitos saem com 25 anos de dinheiro de uma vez. Em troca, a Hipgnosis possui as canções para sempre. Para os artistas, a atração não é apenas o dinheiro, mas o fato de que a Hipgnosis atua como uma empresa de gerenciamento de músicas, em vez de simplesmente explorar um sucesso para apoiar novas músicas (que é como a maioria das gravadoras e editoras trabalham).

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A Editora Urbem faz parte do Grupo Novo Dia e edita livros de diversos assuntos e também a Urbem Magazine, uma revista periódica 100% digital.

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