O governo de Jair Bolsonaro se recusou, no ano passado, a comprar a vacina da Pfizer pela metade do preço oferecido aos EUA, Reino Unido e União Europeia.
Na ocasião, as doses foram consideradas caras pelo então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, quando 70 milhões da vacina Pfizer poderiam ter sido entregues a partir de dezembro por US$ 10 cada.
Com a antecipação da vacinação, mortes poderiam ter sido evitadas, assim como prejuízos bilionários provocados pelo fechamento da economia.
No ano passado, o PIB (Produto Interno Bruto) era de R$ 7,4 trilhões. Agora, os R$ 30 bilhões previstos pelo Ministério da Saúde para a vacinação brasileira correspondem a um dia e meio de um hipotético lockdown nacional, desconsiderando domingos e feriados.
O equivalente a 10% do valor pago do auxílio emergencial pago em 2020 é menor do que os R$ 44 bilhões previstos neste ano para compensar o fechamento da economia.
Com aproximadamente 40% da população imunizada com as duas doses da vacina, EUA e Reino Unido já estão com as economias funcionando livremente. Ambos pagaram US$ 20 pela dose da Pfizer, o dobro do valor oferecido para o Brasil durante os meses de 2020.
Com o atraso nos contratos, as primeiras doses da Pfizer chegaram no Brasil somente em abril deste ano, ou seja, oito meses passaram entre a primeira oferta e a entrega.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da covid-19, diz que a Pfizer contabilizou 53 email cobrando do governo brasileiro resposta sobre a oferta das 70 milhões de doses.
Em depoimento à CPI, Pazuello diz ter considerado a proposta da Pfizer ‘agressiva’, apontando entraves nas cláusulas do contrato, assim como considerou alto o valor de US$ 10 por dose, ainda que o mesmo montante tenha sido acatado pelo governo meses depois.
Antes das doses da Pfizer, a imunização ocorria com vacinas do Butantan e AstraZeneca, mas em quantidades baixas. A vacinação brasileira com duas doses limita-se a 11% da população.
Para a economia, este atraso é sinônimo de desaquecimento nos setores de serviço, responsável por 70% do PIB e da geração de empregos. Além disso, nos serviços atuam a parcela da população de menor renda e escolaridade, que dependem do trabalho fora de casa para obter renda.
Sem vacina, a ocupação desses trabalhadores caiu até 20% na pandemia, aumentando a desigualdade e a pobreza extrema a níveis de 15 anos atrás.
O colapso nos serviços levou a série histórica de desemprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a um recorde: 14,7%, o que representa 14,8 milhões de desocupados.





