A pandemia do novo coronavírus deixou como herança mudanças na estrutura econômica e social da população, além de enfermidades causadas pelo estresse, como enxaquecas e herpes-zóster. Este aumento, obrigou o sistema de saúde a prestar ainda mais assistência no período considerado crítico.
De acordo com o estudo realizado pelo One Year of Covid-19, em abril deste ano, 15% da população de 30 países apresentaram piora nas condições de saúde mental. No Brasil, este índice chega a 53%, o quinto pior colocado no mundo.
Na prática, os gatilhos de estresse, insônia e ansiedade aumentaram muito neste período. No início da pandemia, a situação era ainda pior porque as pessoas não saiam de casa nem para ir às consultas médicas”, relata a neurologista, Aline Vitali da Silva, coordenadora do Ambulatório de Cefaleia da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), em Londrina.
De acordo com a especialista, as crises de enxaquecas aumentaram em quem já tinha diagnóstico e em novos casos. “Com a consulta online, as pessoas começaram a procurar mais o tratamento e a situação foi melhorando. Mas ainda há muitas pessoas que não buscam ajuda”, diz.
A enxaqueca (forte dor de cabeça) pode vir acompanhada de outros sintomas, como náusea, vômito, fotofobia (incômodo causado pela luz) e até diarreia. Fora do período da crise, o paciente tende a limitar sua vida social e profissional por medo das manifestações.
Os chamados gatilhos podem desencadear uma crise pontual, que pode durar alguns dias. Estes gatilhos variam muito de pessoa para pessoa, mas a insônia e a ansiedade estão entre os mais comuns. Com relação a enxaqueca, por ser crônica, se não tratada, pode causar crises por dias e meses.
Silva recomenda a procura de um especialista quando a dor durar pelo menos três dias no mês. “Dores de cabeça que têm subida intensa e não cedem com medicamentos, ou que pioram com esforço físico, precisam ser investigadas”, alerta.
A automedicação, prática comum no Brasil e que aumentou durante a pandemia, traz riscos ainda maiores para os portadores de enxaqueca. “Os analgésicos, quando usados mais de dez dias no mês, podem trazer piora no padrão da dor e comprometer o efeito”, diz a neuro.





