O Distrito Federal pode entrar em alerta vermelho, novamente, por conta do aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O Boletim do InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta para uma tendência de crescimento da doença na maioria das unidades da Federação, incluindo o DF.
Segundo os dados atualizados da Fiocruz, 96% das notificações de SRAG, no Brasil, com resultado laboratorial positivo, são em decorrência da covid-19. O documento observa que alguns estados brasileiros apresentam sinais de estabilização, enquanto em outros a projeção é de aumento de casos, similares aos picos registrados ao longo de 2020.
No DF, o cenário é parecido. De acordo com a pesquisa, a capital federal apresenta sinal moderado para elevação dos casos, com 75% de probabilidade de crescimento. A análise é preocupante, na avaliação do pesquisador e coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes. “Os valores do DF estão muito elevados. A retomada do crescimento de casos parece estar mais associada, neste momento, nas cidades satélites”, afirma o especialista em saúde pública. “Mas, também, vai respingar na região central do DF”, acrescenta.
Na avaliação de Marcelo Gomes, o afrouxamento de medidas restritivas do comércio é um dos principais fatores para a elevação de casos da doença. “É uma consequência natural. Voltamos a ter mais circulação, mais atividades presenciais, e, consequentemente, com as flexibilizações, parte da população baixou a guarda em função da percepção de risco”, ressalta.
O estudo é referente à Semana Epidemiológica (SE) 20 (16 a 22 de maio). “Tivemos diversos estados com sinal claro de que estão em situação de crescimento do número de novos casos, e ficou claro que a tendência é que isso se mantenha. A não ser que haja uma mudança de comportamento”, explica Marcelo Gomes.
Segundo dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, a capital tem registrado, até o momento, 30.346 ocorrências de SRAG, desde março de 2020 até o momento. Desses, 9.096 evoluíram para óbito.
No ano passado, a covid-19 foi o agente causador da síndrome em 72,9% das notificações. Para 2021, o número é ainda maior. Dentre os 9.605 casos de SRAG, houve predomínio de Sars-CoV-2, em 96,3%.
O estudo da Fiocruz detectou mais unidades da Federação com alerta vermelho para o aumento de ocorrências da Síndrome Respiratória Aguda Grave. “Para aqueles que estão em estabilização, o risco é de que, justamente, eles também passem a ingressar no conjunto de estados que estão em situação de crescimento. No boletim anterior, tínhamos seis estados com sinal de crescimento e, no último, esse número aumentou para 14”, aponta Gomes.
O inverno é outro elemento que contribui para a elevação de diagnósticos de SRAG, mas não é determinante, segundo o pesquisador. “O fator principal continua sendo o comportamento. A chegada do inverno pode vir a ser mais um ingrediente para facilitar a transmissão, na medida em que as pessoas tendem a ficar mais tempo em ambientes fechados e mal arejados”, pondera.
A SRAG é uma complicação da síndrome gripal. Geralmente, os sintomas são febre, acompanhada de tosse ou dor de garganta e, pelo menos, algum diagnóstico de mialgia, cefaleia ou artralgia.
A evolução da síndrome acontece quando o paciente apresenta mais algum sintoma como dispneia, desconforto respiratório, rosto e lábios azuis ou arroxeados, insuficiência respiratória, saturação de oxigênio menor do que 95% e exacerbação de doença preexistente.
“Em crianças, pode ocorrer, também, sinais como falta de ar, desidratação ou perda do apetite. A Síndrome Respiratória Aguda Grave é desencadeada por uma lesão nos alvéolos, pequenas células que têm dentro do pulmão. São pequenos sacos de ar, em que ocorre a troca gasosa — que oxigena o sangue”, descreve a médica infectologista Sylvia Lemos Hinrichsen, consultora de biossegurança da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Esse processo leva a uma inflamação com o acúmulo de líquido no pulmão. “Há uma redução da expansão dos pulmões e aumento dos vasos sanguíneos. Isso pode acarretar uma quantidade de oxigênio menor no sangue, prejudicando todos os órgãos”, destaca Hinrichsen. “O que deu o aumento significativo a SRAG foi a covid-19”, frisa a médica.
Para frear o número de casos, as recomendações são as medidas restritivas e protocolo de higiene. “Uso da máscara, higienização das mãos e do ambiente, álcool e o distanciamento físico de um metro e meio a dois metros. Além disso, não aglomerar”, finaliza Sylvia Lemos.





