O instrutor de surfe Matheus Ribeiro, de 22 anos, aguardava a saída da namorada do trabalho, na porta de um shopping no bairro do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, no último sábado (12), quando foi acusado por um casal de ter roubado sua bicicleta.
O pano de fundo desta história recai sobre mais um crime de racismo. Explico: Matheus é preto e foi falsamente acusado pelo casal branco (sem identificação) de ter furtado um bem que lhe pertencia.
Ao ser abordado pelos jovens, Ribeiro começou a gravar um vídeo que, em seguida, foi publicado em seu perfil nas redes sociais. Com mais de 80 mil visualizações, é possível ver que o jovem que o acusa até tenta abrir o cadeado mas, como não consegue, pede desculpas e vai embora negando que o tenha acusado de roubo.
Na sua publicação nas redes sociais, Ribeiro contou que o casal também falou: “Você pegou essa bicicleta ali agora, não foi?”, disse o rapaz.”É sim, essa bicicleta é minha”, replicou a moça. A esta altura, ele tentava provar que a bicicleta era dele.
“Sem entender nada, fui tentar mostrar aos dois que a bicicleta é minha, com fotos antigas com ela, chave, o que foi possível naquele momento de segundo”, escreveu em sua rede social. Não adiantou.
Em recente entrevista, Ribeiro admitiu que não era sua intenção fazer o Boletim de Ocorrência, mas o caso ganhou proporções inesperadas. “O que aconteceu comigo é um problema estrutural, está enraizado. Não acredito que aquelas pessoas sejam más”, considera o instrutor de surfe.
Nascido e criado no Complexo da Maré, comunidade da zona norte do Rio, Ribeiro é referência por incentivar o esporte na periferia. Há quatro meses, decidiu comprar uma bicicleta elétrica usada por R$ 4,5 mil.
Ainda sobre o ocorrido, Ribeiro admitiu que já chegou a pensar em andar sempre com a nota fiscal da bicicleta para evitar problemas como esse. “A gente sempre pensa em andar o mais certo possível para não dar margem para que aconteça. Temos sempre que provar que somos boas pessoas”, lamenta.





