A cobertura vacinal no Brasil nunca foi um exemplo a ser seguido e com a pandemia da Covid-19 despencou ainda mais em 2020 aumentando os riscos de surtos de doenças preveníveis.
O Instituto de Estudos para Pesquisas em Saúde (IEPS), em trabalho inédito, revela que menos da metade dos municípios do Brasil atingiu a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Imunização (PNI) para nove vacinas, entre elas, as que protegem contra as hepatites, poliomelites, tuberculose e sarampo.
A exceção é a pentavalente (contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e a bactéria
haemophilus influenzae tipo B) que manteve sua cobertura vacinal equilibrada. Os dados ainda podem mudar porque existe atraso nas notificações de alguns municípios.
A maior redução, de 16 pontos percentuais, foi da cobertura da vacina contra hepatite B em crianças de até 30 dias. Entre 2019 e 2020, a queda foi de 78,6% para 62,8%.
As vacinas BCG (contra tuberculose) e a primeira dose da tríplice viral (contra caxumba, sarampo e rubéola) também sofreram redução de 14% e 15%, respectivamente.
Pesquisadores acreditam que a queda na cobertura vacinal em 2020 pode ter sido agravada pelo distanciamento social imposto pela pandemia e o receio de as pessoas procurarem as unidades de saúde.
A pesquisa revela ainda que os atrasos na vacinação ocorrem em todas as classes sociais e que 44% dos pais deixaram de fazer o acompanhamento dos filhos com o pediatra. A porcentagem é maior entre pais de crianças entre três e cinco anos.
A análise chama a atenção para a disparidade regional. Norte e Nordeste tiveram os piores desempenhos em 2020 e tiveram uma cobertura vacinal de 65% e 72%, o que representa uma queda de 23 e 28 pontos percentuais em relação a 2015, respectivamente.
Já a região com a menor velocidade de queda foi o Sul (redução de 10 pontos percentuais) e terminou o ano de 2020 com uma cobertura de 86%, mesmo assim, abaixo da média.





