A Justiça de São Paulo condenou a companhia Azul Linhas Aéreas a indenizar um sacerdote religioso obeso que foi humilhado durante um voo.
Com a identidade preservada, C.N.R.J., de 41 anos,
O caso ocorreu no voo que saiu do aeroporto de Guarulhos com destino a Salvador (BA), em dezembro de 2019. C.N.R.J., de 41 anos, precisou pagar R$ 30 a mais no valor da passagem para utilizar um assento especial, maior. Mesmo assim, não conseguiu fechar o cinto de segurança.
Segundo relatou à Justiça, o sacerdote precisou chamar um comissário de bordo. Logo depois, outro funcionário da empresa retornou e, grosseiramente, voltou a dizer frases como “você não cabe aí”, “o cinto não fecha”, “o senhor não pode ficar aí, tem de levantar”.
“O funcionário da empresa passou a falar em voz alta, perguntando quem poderia trocar de lugar com o sacerdote, ou seja, deixando-o em exposição vexatória”, contou à Justiça o advogado Felipe Coutinho Raimundo, que representa o padre.
“O voo estava lotado e a forma como foi tratado o problema demonstra a total falta de respeito e profissionalismo com o cliente, o qual foi colocado em situação absolutamente vexatória”, reforça o advogado, mencionando que o funcionário alardeou a todos que o problema acontecia por conta da condição do passageiro ser obeso.
Além da indenização de R$ 10 mil, o sacerdote pediu a devolução dos R$ 30 do assento especial.
No processo a Azul se defendeu alegando que o passageiro não conseguiu comprovar o suposto abalo moral que teria sofrido, limitando-se a fazer um “relato dramatizado” dos fatos.
“Não há de se confundir, absolutamente, percalços, dissabores e contratempos com dor, sofrimento ou angústia, a ponto de justificar uma indenização por dano moral”, argumentou a empresa no processo.
A argumentação não foi aceita pela juíza Daniela Guiguet Leal que condenou a empresa a pagar uma indenização de R$ 5 mil, além de devolver os R$ 30. Ao citar uma testemunha, disse que “houve uma exposição desnecessária” do sacerdote, “que ficou em evidência dentro da aeronave”. De acordo com a magistrada, a troca poderia ter sido feita de forma mais discreta.
Segundo relato da testemunha, a funcionária “falou alto que a barriga” do sacerdote “era muito grande”, que “alguns passageiros riram, e que “ele ficou muito desconfortável com a situação, estamos até com cara de choro.”
A Azul ainda pode recorrer da decisão.





