Desde que o Uber chegou no Brasil, paira a discussão sobre ter um carro ou usar um aplicativo para ter acesso a um meio de transporte individual. Com a gasolina nas alturas chegando a R$ 7, às chances do motorista por app fazer parte da rotina diária volta a ser cogitada. Mas será que vale mesmo a pena?
Depende. Continuar usando o carro ou optar pelo apps de transporte tem suas vantagens e desvantagens. O primeiro grande benefício do automóvel é a liberdade: ele está à sua espera, independente do que aconteça e você jamais dependerá de um terceiro. Mas com ela vem a responsabilidade: você está sujeito a tomar multas, se envolver em pequenas colisões, precisa encontrar uma boa vaga para estacionar e pagar pela manutenção.
Já o Uber é válido para quem roda pouco, ou seja, quem vai de casa para o trabalho e percorre até 10km por dia, ou 300 km por mês. É o que defende o planejador financeiro Raphael Carneiro.
Ainda que custe mais pagar a corrida ao combustível, o custo de propriedade do veículo supera o lucro do motorista e da plataforma. Porém, para quem mora um pouco mais distante do trabalho ou utiliza o carro em mais trajetos, ou rodando a partir de 30 km diariamente, ter carro pode ser um bom negócio.
Combustível
Ao analisar dois cenários: o de uma pessoa que pouco roda (cerca de 300 km por mês, e o de outra pessoa que usa razoavelmente o carro (900 km mensalmente).
Considerando um Fiat Mobi, que custa na faixa de R$ 50 mil e percorre cerca de 13 km/l na cidade com gasolina, seriam gastos R$ 114,23 por mês para rodar 10 quilômetros por dia, ou R$ 1.370,76 por ano.
No segundo exemplo, o motorista percorre 30 km diários e gasta R$432,69 por mês ou R$ 5.192,28 ao ano. Considerando a média do preço da gasolina nas últimas semanas em São Paulo, calculada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), é de R$ 6,25.
Seguro e documentação
Nesta lista não poderia ficar de fora os gastos com seguro e documentação. Na cidade de São Paulo, a alíquota atual do IPVA é de 4% do valor venal do veículo, nesse caso, R$ 2 mil. Também é necessário pagar pelo licenciamento, que custa R$ 85,24. Já o valor médio do seguro, de acordo com uma cotação feita no site Youse, é de R$ 2.600.
Manutenção
Nos custos com manutenção incluímos gastos com revisões, troca de óleo e possíveis reparos corriqueiros, como a substituição de uma lanterna. Para tanto, estimamos um valor de R$ 900 por ano para o motorista que roda menos e R$ 1.400 para quem circula 900 km mensalmente.
Extras
É preciso calcular gastos “invisíveis”, que muitas vezes passam despercebidos na hora de fazer essa conta, como custo com estacionamento (R$ 300 por mês) e lavagem (R$ 100 por mês).
Colocando na balança
Com todos os gastos na ponta do lápis, já é possível saber qual a modalidade de transporte mais vantajosa, mas a questão financeira não deve ser a única a ser considerada.
A matemática só não basta. É preciso pensar em outras coisas, como o lado emocional. Afinal, como você vai se sentir ao se desfazer do carro para esperar o Uber? Você está ciente de que precisará se planejar mais para os compromissos, levando em conta o tempo de espera pelo motorista?, por exemplo.





