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quarta-feira, 12 agosto, 2026

Anvisa autoriza vacina da Pfizer para crianças entre 5 e 11 anos

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou hoje a liberação da vacina contra a covid-19 da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos. Serão duas doses com três semanas de intervalo entre elas. Atualmente, a vacina estava apenas autorizada para maiores de 12 anos.

“Essa decisão da Anvisa resultará em um impacto no processo de vacinação”, afirmou na apresentação a diretora da Anvisa Meiruze Sousa Freitas.

O imunizante Pfizer/Wyeth foi especialmente desenvolvido para crianças, ao contrário de outros laboratórios que estão adaptando as vacinas de adultos.

“Essa vacina é diferente da vacina para adultos em aspectos chaves importantes”, afirmou Gustavo Mendes, gerente geral de Medicamentos da Anvisa.

Nesta quarta-feira (15), por exemplo, a Anvisa recebeu o segundo pedido do Instituto Butantan para indicação da vacina CoronaVac para crianças e adolescentes de 3 a 17 anos. Nesse caso, a vacina é a mesma administrada em adultos.

Previsão de chegada

Embora aprovada pela Anvisa, o governo federal pode demorar para distribuir as vacinas infantis da Pfizer. Integrantes do Ministério da Saúde disseram que só iriam solicitar as doses específicas das crianças depois do anúncio de hoje. 

Em nota, a Pfizer afirma que o contrato para fornecimento de 100 milhões de vacinas no ano que vem já inclui a possibilidade de entrega das versões modificadas do imunizante para crianças e confirmou que nenhuma dose pediátrica foi enviada ao Brasil.

A expectativa de gestores do ministério é de que as doses comecem a chegar a partir de janeiro, mas o laboratório não informou em quanto tempo pode enviar estas vacinas após pedido do ministério.

Presença de anticorpos

De acordo com a Anvisa, o estudo da vacina em criança foi randomizado entre 2.250 crianças: elas foram divididas em dois grupos. Dois terços tomaram vacina e um terço tomou placebo (substância que não tem efeito no organismo) em um esquema de duas doses em um intervalo de 21 dias.

Segundo explica Gustavo Mendes, gerente geral de Medicamentos da Anvisa, comparando crianças de 5 a 11 anos com pessoas de 16 a 25 anos, com a dosagem diferente, existe a presença de anticorpos neutralizantes com a mesma intensidade.

“O perfil de segurança da vacina quando comparado com placebo é muito positivo. Ao observar qualquer reação adversa não tem diferença importante e não tem nenhum evento sério de preocupação por conta da vacinação comparado com placebo”, explica Mendes.

Segundo a gerente-geral de Monitoramento da Anvisa, Suzie Marie, as crianças que completarem 12 anos entre a primeira e a segunda dose “devem manter a dose pediátrica” porque “não há estudos sobre a coadministração com outras vacinas”.

Com relação aos riscos, ela afirma que cerca de 60% das notificações de eventos adversos em países que já adotaram o imunizante da Pfizer estão relacionadas a complicações em “procedimentos da aplicação” e 39% a eventos leves, como dor no local da aplicação.

“Os benefícios da vacina superam os riscos e é preciso envolvimento da sociedade no monitoramento dos eventos adversos em crianças e a notificação é fundamental”, afirmou Marie.

Ameaça de morte

A possibilidade de vacinar o público infantil motivou ameaças de morte a cinco diretores da Anvisa. Eles receberam emails com ameaças em caso de aprovação pela agência da vacina para crianças justamente entre 5 e 11 anos.

Um trecho da mensagem, obtida pelo site O Antagonista, diz: “Deixando bem claro para os responsáveis, de cima para baixo: quem ameaçar, quem atentar contra a segurança física do meu filho: será morto.”

(Fonte: UOL)

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