No mundo, existem mais de duas mil espécies de escorpiões registradas. Destas, 172 vivem no Brasil. A espécie que mais causa acidentes no país, principalmente em crianças, é o Tityus serrulatus, também conhecido como escorpião-amarelo. Esta e outras espécies de escorpiões estão catalogadas no site Escorpiões do Brasil produzida pelo pesquisador do Butantan, Rogério Bertani, juntamente com o tecnologista da Fundação Oswaldo Cruz Alessandro Giupponi, e Jairo González-Moreno, doutor em zoologia.
Essas informações, que podem ser acessadas na página do Laboratório de Ecologia e Evolução do
Butantan, mostra as espécies de escorpiões descobertas em território nacional por família e gênero, e inclui registros dessas espécies nos estados brasileiros. O site também apresenta informações sobre as espécies consideradas de importância em saúde no Brasil.
Todas elas são do gênero Tityus: o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), escorpião-marrom (Tityus bahiensis), escorpião-amarelo-do-nordeste (Tityus stigmurus) e o escorpião-preto-da amazônia (Tityus obscurus). Lá são apresentadas características desses aracnídeos para facilitar a identificação caso seja encontrado em casa, ou um profissional da saúde precise atender um acidentado e saber se é uma espécie que pode causar acidente grave. Por estar disponível on-line, permite o acesso rápido das informações por meio de um smartphone.
“Saber onde esses animais vivem é fundamental para direcionar o soro para o tratamento dos picados”, afirma Rogério. “A listagem também é essencial para os serviços médicos, que precisam saber se essas espécies ocorrem nas suas regiões e se prepararem para atender os acidentados”, completa.
O trabalho, realizado entre 2019 e 2021, foi feito a partir da revisão da literatura dos escorpiões e a listagem daqueles que tiveram registro no Brasil. Ela será atualizada a cada seis meses, com base em artigos publicados sobre descobertas de novas espécies.
Apesar disso, o escorpião é um aracnídeo cuja maioria de suas espécies não é responsável por causar acidentes graves na população. Ao contrário, ele tem uma grande importância para o equilíbrio ambiental, pois se alimentam de insetos, fazendo o controle da população de algumas pragas ou vetores de doenças.
Além do controle ambiental, o escorpião tem também grande importância na saúde humana. “O veneno de várias espécies contém moléculas que vêm sendo estudadas para tratar doenças, ou serem utilizadas como ferramentas farmacológicas”, afirma o pesquisador do Butantan.
As espécies que existem no Brasil são divididas em quatro famílias, três delas inofensivas ou cujas
picadas causam efeitos mais leves. São elas: Bothriuridae, escorpiões de pequeno porte que vivem no sul, sudeste, centro-oeste e nordeste; Chactidae que são escuros e de tamanho variado, comuns na Amazônia; Hormuridae são grandes e escuros, que vivem em algumas regiões do Centro-Oeste e da Amazônia e que raramente provocam acidentes.
Os Buthidae são encontrados em todo o Brasil e compõem cerca de 60% das espécies nacionais, e é onde se encontra o gênero Tityus, o mais perigoso.





