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quinta-feira, 30 julho, 2026

Brasil tem aumento de endividados e cria o contingente de ‘devedores crônicos’

Se você está com o nome no SERASA e sua dívida do cartão de crédito chega a dois dígitos, você faz parte da turma da bibliotecária Caroline Realon, 30 anos, que se autodefine como devedora contumaz: Com um boleto da companhia de energia protestado e dívidas de R$ 7 mil no cartão de crédito, ela conta que lida com a inadimplência desde quando obteve seu primeiro cartão de crédito, ainda na adolescência. 

“Entro e saio do Serasa, gasto mais do que ganho”, diz Caroline, que sofre de um certo desalento sobre a própria situação financeira: “Fico enrolando para pagar as contas. Vou deixar rolar e pagar quando der, porque não dá para lutar contra os juros.”

Caroline não está sozinha. O caso da bibliotecária ilustra a situação financeira atual de milhões de brasileiros. Dados do Serasa mostram um contingente de 65,7 milhões de pessoas com contas vencidas, e o valor médio da dívida é superior a R$ 4 mil – ambos os dados estão perto da máxima histórica e têm tendência de alta até o fim do ano.

Assim como Caroline, quem está devendo geralmente carrega o problema há muito tempo: segundo a empresa de análise de crédito Boa Vista, 83% das dívidas têm atrasos superiores a 90 dias.

Segundo Lauro Leite, presidente da Return, empresa de recuperação de crédito do Santander, além dos problemas com perda de emprego ou gastos inesperados, a falta de organização também ajuda a tornar as dívidas uma “bola de neve”. Ele diz, por exemplo, que é comum o brasileiro pegar dinheiro emprestado de um cartão de crédito para pagar a conta de outro. “O brasileiro é cheio de cartões”, diz.

Ainda assim, quem sai da lista de negativados, costuma voltar pouco tempo depois, segundo Eric Garmes de Oliveira, cofundador da Paschoalatto, que cobra dívidas para os principais bancos do País. Para quem está preso nesse círculo vicioso, diz ele, uma das recomendações é sempre mostrar disposição em negociar e resolver a questão. “Isso é importante para evitar que a dívida seja cobrada judicialmente”, explica.

Nesta batalha para sair da lista de devedores há quatro anos, o representante comercial Anderson Kazuo, 32 anos, já fez diversas negociações. Foi em 2018 que tudo começou. Kazuo teve despesas extras com seu carro e não conseguiu mais manter as parcelas em dia. A partir daí, o problema só piorou: hoje, deve R$ 18 mil ao banco e ainda busca uma saída para a quitação. A partir daí, dívida só cresceu. “Fiz dívidas no cartão para pagar o conserto de um carro”, lembra. (IstoÉ)

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