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terça-feira, 28 julho, 2026

IBGE divulga uma década de informações sobre a saúde dos escolares

De 2009 a 2019, cresceu o número de estudantes insatisfeitos com próprio corpo: a proporção dos que se julgavam gordos ou muitos gordos foi de 17,5% para 23,2%

Uma década de pesquisas sobre a saúde dos adolescentes e suas tendências. É o que IBGE divulgou ontem no estudo experimental da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE): indicadores comparáveis dos escolares do 9º ano do ensino fundamental.

A PeNSE traz informações sobre alimentação, atividade física, cigarro, álcool, outras drogas, situações em casa e na escola, saúde mental, saúde sexual e reprodutiva, higiene e saúde bucal, segurança, uso dos serviços de saúde, características gerais dos escolares, características do ambiente escolar, entre outros. A pesquisa é feita em parceria com o Ministério da Saúde e o apoio do Ministério da Educação.

A publicação traz uma análise inédita das quatro edições da PeNSE (2009, 2012, 2015 e 2019). “Nessa década, foram incorporadas inovações e modificações que impossibilitavam uma comparação de forma direta. Para fazer a análise, além da tradicional comparação temporal entre pontos da série, aplicaram-se novas estratégias metodológicas, como a harmonização das variáveis, empilhamento das bases e regressão logística”, explica Marco Andreazzi, gerente da pesquisa.

O estudo mostra a tendência de ocorrência de certos temas. Há também a representação gráfica das razões de chance entre as capitais, utilizando São Paulo como referência para os cálculos da distribuição.

Entre 2009 e 2019, número de estudantes com acesso à internet em casa aumenta 76,8%

A quantidade de estudantes com acesso à internet em casa aumentou 76,8% em 10 anos. Em 2009, 52,9% de estudantes do 9º ano do ensino fundamental tinham internet onde residiam, contra 93,6% em 2019.

“Neste período, a internet passou a ser uma ferramenta estratégica importante no sentido do envolvimento e da disseminação de informações, inclusive nas escolas”, afirma Marco Andreazzi, gerente da pesquisa. Entretanto, quando analisados os resultados nas capitais, a desigualdade regional aparece: o Norte e o Nordeste têm os menores índices, encontrados em Teresina, São Luís e Macapá. Já em Vitória, Florianópolis e Curitiba, a pesquisa mostrou os maiores resultados.

Escolaridade materna aumenta
Quanto mais baixa escolaridade da mãe dos estudantes, pior o estado de saúde dos filhos e maior o risco de mortalidade e a chance de pobreza. De 2009 a 2019, a chance de alunos do 9º ano terem mães sem instrução ou com ensino fundamental incompleto caiu 48%, a prevalência desse indicador sai de 25,6% (2009) para 15,2% (2019). Entre alunos de escolas particulares, esse índice já era muito baixo em 2009 (5,1%) e caiu para 4,3% em 2019. Já entre os jovens de escolas públicas, o percentual recuou de 31% para 19,5%.

O índice que diz respeito às mães com ensino superior passou de 16% para 23,5%, no período, um aumento percentual 47,3 %. O crescimento nas escolas públicas foi de 5,1 p.p., contra 3,6 p.p nas escolas privadas.

“Embora maior escolaridade das mulheres não signifique rendimento salarial equiparado ao dos homens, a elevação da escolaridade reduz a proporção de gravidez entre as adolescentes, a mortalidade materna, o nível de pobreza. Como melhora as condições de trabalho das mulheres, aumenta a chance de boa saúde dos filhos”, desenvolve Andreazzi.

Insatisfação com imagem corporal aumenta tanto em magreza quanto em excesso de peso

A PeNSE também demonstra que a insatisfação com a imagem do próprio corpo aumentou entre os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental. Em 2009, 17,5% dos estudantes reclamava de ser gordo ou muito gordo, número que saltou para 23,2% em 2019. Já os que se consideravam magros ou muito magros eram 21,9% e passaram a 28,6%.

Entre os estudantes que se avaliaram como gordos e muito gordos, houve aumento disseminado entre escola pública e particulares e meninos e meninas, com mulheres (28,6%) e escola privada (25,5%) mantendo os maiores índices.

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